Blood — Uma História de Sangue

Willian Araujo
Sep 4, 2018 · 3 min read

“Um bebê é encontrado por uma jovem em um rio e criado até o início da idade adulta, quando é deixado aos cuidados do Monastério para ser iniciado nos ensinamentos de Deus. Quando o rapaz descobre que não é a mão divina que escreve os livros que regem sua doutrina, mas sim a de seu mentor, ele se sente traído e parte, mas não sem antes assassinar o homem, em um acesso de fúria.

Sem rumo certo, ele dá início a uma jornada de autoconhecimento, até se deparar com uma tribo de vampiros em uma floresta que, contra a sua vontade, o transforma em um deles. Nesse dia nasce Blood, o vampiro…”

A editora Pipoca & Nanquim fechou o mês de agosto com mais um lançamento (ou relançamento) espetacular: Blood — Uma história de sangue. A sangrenta saga vampiresca, que já havia sido publicada em 4 edições em meados dos anos 90 pela editora Abril, foi escrita por J. M DeMatteis, escritor conhecido por seu trabalho em Moonshadow; Doutor Estranho: Shamballa e A Última Caçada de Kraven; e com a arte do sensacional Kent Williams, de Wolverine e Destrutor: Fusão.

Com uma dupla tão espetacular, Blood é uma obra um tanto hermética, que necessita de bastante atenção do leitor para haja um total entendimento (e quem sabe, mais de uma leitura), poética e visualmente estonteante.

A linguagem de DeMatteis, é de uma grande carga emotiva, simbólica e metafórica. A saga do vampiro Blood é narrada como se fosse uma velha história que tivesse sido contada por Sherazade em “As Mil e Uma Noites”, com um extremo cuidado, não entregando a surpresa (que pode ser descoberta pelos leitores mais atentos) no final. DeMatteis presenteia o leitor com uma história singular de amor, morte, renascimento, culpa e autoconhecimento. Tudo isso com a belíssima arte de Kent Williams.

E não dá para falar de Blood — Uma História de Sangue, sem falar da arte de Williams. O trabalho do ilustrador é uma mistura entre pintura e lápis que funciona perfeitamente na história. Há um certo experimentalismo na arte de Williams que funciona perfeitamente com a saga de Blood. Ao longo da história você pode ver rabiscos; muitas onomatopeias com a palabra “Doom”, como se isso prenunciasse o destino do protagonista; e até manchas de tinta vermelha que parecem sair da página, como se fosse sangue. E talvez seja mesmo.

É interessante notar que o primeiro e o último capítulo da história compartilham o mesmo nome: Ouroboros. Isso já dá uma ideia do conteúdo da obra.

“Ouroboros é uma criatura mitológica, uma serpente que engole a própria cauda formando um círculo e que simboliza o ciclo da vida, o infinito, a mudança, o tempo, a evolução, a fecundação, o nascimento, a morte, a ressurreição, a criação, a destruição, a renovação. Muitas vezes, esse símbolo antigo está associado à criação do Universo.”

Falar mais que isso é entregar spoilers de uma obra que necessita ser lida e absorvida. Blood — Uma História de Sangue, pode não agradar aos leitores que estão acostumados com narrativas um pouco mais “comuns”. Blood requer uma leitura atenciosa, quieta e lenta para que seja totalmente aproveitada.Todo o desenrolar da trama é resolvido num final poético onde tudo se conecta de modo magistral.

“O mar tornou-se sangue
E o sangue entregou seus segredos”

A HQ está à venda na Amazon por R$ 59,90, formato 17 x 26, capa dura, 196 páginas, prefácio exclusivo para a edição brasileira e galeria de capas.

Willian Araujo

Written by

Jornalista, aspirante a escritor, amante de quadrinhos, literatura e cinema.

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