Líder Falsiane — Tá Tênu!

A honestidade do chefe e a falsidade do líder

Ser dono não é dom, é karma!

Sim! Tudo é um prisma com vários lados e esse título só aborda dois deles. Trabalhando com uma infinidade de grandes empresas “clássicas”, novas empresas, startups e mesmo iniciativas mais ousadas como a Empresa Livre e outras horizontais, descentralizadas ou colaborativas como a Dervish tenho tomado uns sustos pelo caminho, especialmente em relação a essa figura do CEO, Presidente, Fundador, Iniciador, Dono, VP Executivo, General Manager, o título depende muito do estilo do negócio.

Nessa semana o CEO de uma das empresas que eu trabalho foi claro: ou o resultado é X no tempo Y ou eu troco essa equipe.

O que poderia parecer a visão do inferno para quem quer propósito e felicidade no trabalho provocou em mim um alívio feliz. Sei exatamente o que deve ser feito e em que tempo, podendo construir com o time o “como” chegaremos lá. Ele não está nem aí — que bom, afinal, quem sabe do trabalho operacional somos nozes.

Lembrei de uma startup que focava em valores, propósito, pessoas e o escambau. Tudo lindo e fazíamos reuniões coletivas com todos os cabeças pra decidir coisas importantes. No final, o CEO fazia apenas o que ele queria, mesmo que todos discordassem.

"Ah, mas ele entende mais do negócio e é o dele que está na reta…" — certamente. O que eu estou questionando é a pretensão de ser colaborativo quando isso não é real ou não leva a nada.

Não há motivos pra prender todos em reuniões de brainstorm quando já se sabe o que quer. É mais honesto com todos ser claro e ser autoritário mesmo, do que ser autoritário se fazendo de Líder Colaborativo.

Especialmente se quem vai tomar as decisões mais importantes não está ali e todos podem ser demitidos ou trocados mesmo. Enquanto a comida de alguém depender de outra pessoa não há relação igualitária. É melhor admitir isso que dói menos pra todo mundo. Muito melhor do que exigir sentimento de dono de quem não é o dono — seríamos menos patéticos. E, por favor, não marque Hora Feliz no fim de semana né?!

A origem do dinheiro e outros detalhes dizem muito sobre quem manda de verdade: se tem investidor ou não; se o dinheiro está no Brasil ou não, o grau de horizontalização e autonomia da empresa e de todos os seus integrantes; o modelo de negócio — o quanto o rabo de todo mundo está preso e o fiofó de quem está na reta.

Quando eu entro num projeto o meu está na reta, fato. Chama-se comprometimento. Prefiro mil vezes saber exatamente como pensa quem manda do que achar que é do jeito que o RH ou o gerente de projeto me contou e ir me decepcionando ao ver que na prática aquelas palavrinhas do site ou coladas na parede não geram ações.

E olha que sou a rainha da pró atividade me metendo inclusive no que não fui chamada quando o assunto é resultado.

Clareza sobre a condução do trabalho não tira a iniciativa das pessoas, é a insegurança que tira. E a insegurança é gerada quando fala e ação não condizem.

Não tá fácil pra ninguém, brinco que ser líder não é dom, é karma. Vejo pessoas maravilhosas em cargos de liderança se esforçando muito e estudando pra acompanhar os avanços e metodologias que surgem para os negócios. Encontro elas nos cursos, em discussões e grupos. Holocracia, CNV, Colaboração, tudo o que inventam é baseado em confiança, honestidade, transparência e ética.

A real é que não importa se vc é chefe, líder, CEO, Iniciador, Dono ou Guru, importam os valores reais que te conduzem se é que você pode conduzir algo realmente ou só responde a quem recebe o lucro e nem tem idéia do dia a dia hard do trampo.

Vamos lá Timão! SQN

Se der, no meio dessa empreitada, que a gente seja o mais honesto possível. Assim ninguém perde tempo e colocamos o trabalho onde ele merece: uma coisa entre outras na nossa vida. Todos querem fazer o seu melhor, TODOS os colaboradores. Conheço gente que se demite porque não consegue realizar o trabalho que precisa pra entregar o resultado. Muitos mercados estão de ponta cabeça!

Eu ainda prefiro uma ameaça clara do que uma dissimulada. Não estou dizendo que vamos evitar a inovação e as sugestões mas sabendo a regra do jogo a gente pira na altura certa e o resultado costuma vir mais rápido.

Não se preocupem em parecer o cara da capa do livre de liderança. Se preocupem com o negócio que a gente sabe e quer trabalhar: o mais rápido possível, com o maior rendimento possível e a melhor estratégia. Pra todo mundo sair no horário e dar um xêro na família ou nos amigos e fazer aquele curso que sempre sempre sempre será mais importante do que o trabalho. Inclusive comer naquele restaurante massa ou fazer aquela viagem onde nos encontramos no ano passado lembra?

Vamos aceitar que dói menos. Bem menos.

Aqui tem um vídeo sobre como estamos nos tratando no ambiente corporativo. Bjo!

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