Por que eu não me comunico melhor?

Essa pergunta é frequente, afinal, quem não quer ser inesquecível?

Eu treino pessoas pra falar em público e em frente as câmeras. Seja pra uma palestra, TED, entrevista, eventos corporativos, reuniões, teatro ou filmes. Eu ensino pessoas a serem autênticas e também a manipular e a mentir — ensino também atores. Aqui vão umas dicas de quem está na área há 25 anos.

Comparação é importante mas tem que ser com você mesmo.

E pra isso você precisa parar de imaginar e trabalhar, fazer realmente as coisas.

A gente se compara com um ideal porque não fizemos nada ainda e na cabeça tudo é mais complicado que nos limites da realidade.

Um vídeo na sua cabeça é muito mais complicado do que ele realmente é. Na sua cabeça tem o público, a expectativa dele, tem aquela vez que você ficou horroroso numa filmagem e uma outra que você engasgou e errou o que queria dizer, sentiu vergonha. Tem seu julgamento sobre a própria aparência. Tudo isso está na sua cabeça e não no fazer em si.

Por isso meu trabalho é treinamento, não é curso nem aula, é prática.

Sabe aquela máxima "nada mais prático do que uma boa teoria?” pois é, não se aplica aqui. Se você quer aprender a fazer algo faça, pare de gastar em cursos (você tem um celular com câmera que eu sei).

Você pode ler tudo o que já foi escrito no mundo sobre esse assunto mas se sua bunda estiver na cadeira já era.

Você não aprende a surfar no escritório. Algumas pessoas que me procuram já poderiam ter montado uma produtora de cinema com o tempo e os recursos investidos em worshops.

Hoje existe uma crise do fazer, do realizar. Todos somos fazedores mas agora criamos os “makers” como se precisássemos ser especiais pra realizar coisas.

As vezes o excesso de informação causa uma paralisia da ação. Até no amor, por exemplo. Você vê tantas formas diferentes de relacionamento que escolhe uma perguntando-se se deveria escolher a outra e muitas vezes não se sente capaz de escolher nada.

Se você comprar hoje um telefone, amanhã vai achar o mesmo em promoção ou um melhor, enfim… as escolhas parecem vazias de significado.

Por que vou me expressar se já tem tanta gente fazendo isso?

Será que alguém vai se interessar pelo meu conteúdo ou produto?

E se alguém odiar?

Por que vou ser advogado se já tem tantos? Ou ator? Ou músico? Ou jornalista? Ou tudo?

Todas essas questões são transmitidas quando nos comunicamos.

Eu costumo dizer que a câmera não pode filmar o que não está ali mas absolutamente tudo o que estiver ali ela registra, mesmo que você não tenha consciência.

Eu atendi uma cliente outro dia e depois de uma conversa entendi muita coisa que ela não tinha dito. Fatos reais como a ausência de uma formação acadêmica e o quanto isso a deixava desconfortável na profissão. Se eu percebo isso sem ela falar desse assunto a câmera também percebe e por consequência, quem assiste.

Outro cliente era preconceituoso e isso estava implícito nas imagens da sua apresentação em powerpoint. Até eu sinalizar ele não tinha se dado conta e ficou muito constrangido.

Então sim, é difícil falar pra uma câmera como é difícil falar em público mas a real dificuldade geralmente não é o que você quer falar, mas o que você está tentando esconder.