"Mantenha as delicadezas" da maravilhosa Andrea Tolaini

uma mudança urgente

dentro de nós

Sheylli Caleffi
Nov 7, 2019 · 19 min read

Ela chorava e nós não falávamos nada. Nada. Só mostrávamos que estávamos ali com interesse genuíno, que ali era seguro, que ela tinha autorização pra sofrer.

Todos nós sofremos, em algum momento, mas pouca gente da conta de ver o outro em desespero aceitando que isso também faz parte da vida.

Colocar o coração nos problemas.

Essa é a coragem que nos falta. De olhar pra cara do horror e ver o que acontece. De enfrentar os problemas de frente mesmo. De ouvir sem interromper uma vítima de qualquer coisa na vida.

Eu não sei o que pode ser mais importante do que isso.

Quem vai num evento assim - uma palestra sobre como voltar a ter prazer depois do estupro - está na portinha da cura, do encontro com esse monstro interno que corrói e dói.

Arte de Andrea Tolaini

No final da palestra quando começamos a conversar sobre falar de nossos traumas, uma moça chorava pra dentro e a única coisa que conseguia balbuciar era “como dói” — quando conseguia emitir som. Era um choro tão dolorido que a sala ficou em silêncio e uma corajosa amiga começou a cantar. Juro! Ela simplesmente começou a cantar uma música linda pra quebrar aquele silêncio de reconhecimento, o que aumentou a compaixão de todas.

A que chorava foi abraçada por uma desconhecida, e depois por outra. Ambas em silêncio, abraçando. Essa segunda que foi acudi-la também tinha sua história de dor e eu observei que todo o seu corpo começava a colapsar. Algo precisava sair. Enquanto ela abraçava a primeira, eu fui lá abraçá-la e ela desmoronou. Começou a chorar tentando conter e logo estava a plenos pulmões. Eu me acomodei no chão e ela deitou no meu colo.

Comecei a pensar que se eu tivesse tido uma filha quando era bem nova, poderia ser ela. E eu alisava seus cabelos e trazia todo amor que eu tenho em mim. Sem falar, sem julgar, sem tentar fazer com que ela parasse. Isso é enfrentar a vida de frente, deixar ela acontecer. Todos nós precisamos chorar as nossas dores ou elas vão nos sufocar por dentro.

Quando ela começou a se acalmar eu comecei a brincar sobre um colar que ela usava e logo o choro se misturou com riso e na mesma altura em que ela pôde chorar ela também começou a rir e depois a gargalhar. Lágrimas e risos se misturavam e a vida estava ali embalando nós duas num momento verdadeiro.

Arte de Andrea Tolaini

Estávamos numa sala cheia de mulheres e era como se nos projetássemos pra um outro lugar quentinho e seguro onde não tem problema ser quem a gente é.

Ela então me contou a história de uma personagem (acho que era Mazumi), que faz parte de um mito. Um dia o Sol se escondeu numa caverna e pra faze-lo aparecer a Mazumi o fazia rir. A partir daí eu apelidei essa mulher de Sol, e é assim que eu vou lembrar dela.

O problema não é falar de um trauma, é achar que está falando em vão. Que todo o esforço de entrar em contato com esses sentimentos não mudará nada ou vai piorar alguma coisa. Muitas mulheres contam seus traumas e são tratadas de forma diferente por quem dizia ama-las.

Arte de Andrea Tolaini

É nosso dever aprender a escutar. Quando me perguntam como eu aguento ouvir tantos relatos de estupro eu digo que meu único "dom" é saber ouvir o horror sem me misturar. Não sei o que pode ser mais importante que isso hoje. Todos estamos preocupados com o futuro e com a tecnologia e essa urgência não é sobre esse tipo de inovação mas sobre transformar nossas relações com as tragédias humanas.

Comentei sobre esse dia com uma amiga e ela disse "Como pode ter sido bom se tanta gente chorou?" E a minha resposta é "Temos o direito de sofrer e precisamos exercer esse direito."

Ouvi uma frase que a primeira moça que caiu em pratos falou depois agradecendo estar ali: "Em 30 anos eu nunca falei pra ninguém"

Nada é mais importante que isso gente. As pessoas precisam exercer o direito de se apropriarem de suas histórias. Do que aconteceu com elas — seja lá o que for! E elas só o farão se nós pararmos de julgar.

Arte de Andrea Tolaini

Isso muda o mundo delas e o mundo ao redor delas. Eu sei disso porque eu vivi isso na minha pele e junto com tantas mulheres e homens que dividem comigo suas dores. Eu não sou especialista, sou apenas uma sobrevivente. Não é sobre entender desse assunto ou ter uma formação, é sobre ser humana.

Essas situações catárticas acontecem em alguns dos cursos que eu ministro sobre violência sexual e elas sempre trazem benefícios. Eu recebo relatos lindos como esses:

Uma mulher adulta que decidiu contar pros filhos sobre o estupro que sofreu na adolescência. Ela me escreveu pra contar que foi impressionante. O filho começou a se engajar mais em causas feministas e uma das filhas (que andava distante) contou que também tinha passado por isso. Juntas elas estão se curando. "Como vítima eu posso me curar junto com ela e como mãe posso dar a ela o conforto que eu não tive"

Arte de Andrea Tolaini

Uma outra mulher questionou os pais que não tinham acreditado nela e contou pros irmãos o porque não suportava um dos parentes. Ela sempre foi considerada agressiva e agora todos puderam rever suas atitudes com ela nos últimos 20 anos.

Muitas decidiram buscar ajuda pra denunciar legalmente.

Algumas percebem durante o curso que foram estupradas e esses momentos me doem demais. Temos tantas idéias erradas sobre violência que nos acostumamos a dar as mãos pra ela como se fosse nossa amiga.

Eu garanto a todos vocês que a vida pode ser leve e alegre. É uma escolha. Uma escolha que podemos fazer juntos e pra escolher isso é só se conectar com o que tem de mais humano em você, mas não é possível fazermos isso sozinhos. É no contato com os outros que vamos crescer o nosso coração, a nossa compaixão. É participando da vida que criamos coisas extraordinárias e aprendemos que ela tem disso mesmo, as vezes ela dói. Nós não podemos nos livrar das tristezas mas também não podemos nos livrar das alegrias.

Você é muito importante, você pode ser o colo de alguém, pode pode ser um porto seguro de alguém que você nunca viu na vida, não é sobre tempo ou intimidade, é sobre disposição sincera em se doar pro outro.

Sempre que você empacar na vida, ficar perdido, se doe, a resposta está na interação, está na relação, na conexão com as pessoas. A criatividade está aí.

Arte de Andrea Tolaini

Você não precisa salvar a humanidade, você pode salvar um momento na vida de alguém. E aí você vai perceber que nem era sobre essa outra pessoa, era o seu coração querendo ficar maior. Mais potente e amoroso.


VIOLÊNCIA SEXUAL

Esse é um assunto muito importante, aqui deixo alguns conteúdos pra você. Pra começar, O que é estupro segundo a lei? e dados no país, lembrando que apenas 10% dos casos são notificados. Tirar a camisinha durante o sexo (Stealthing) também é estupro! E, principalmente, vamos ter cuidado pra não silenciar as vítimas Como silenciamos estupro. Ainda tem dúvidas sobre o que é Cultura do estupro? Só clicar! Tudo começa com o Assédio Sexual que é muito comum no nosso país e foi denunciado de forma mais ampla na campanha Chega de Fiu Fiu

  1. Grupo de apoio a vítimas de violência sexual com mais de 3mil participantes As incríveis mulheres que vão morrer duas vezes no facebook. O objetivo é falarmos sobre o assunto para o maior número possível de pessoas, inclusive amigos e familiares de sobreviventes.
Grupo de Apoio com arte (claro) da Andrea Tolaini
descrição do grupo

Ali já na descrição do grupo temos um compilado de vídeos e matérias importantes sobre o tema. Muitas mulheres não sobrevivem a essa violência e muitas não podem falar sobre isso por questões de segurança. Porém temos muitas dispostas a falar e juntas vamos transformar esse tabu em ações.

Como acolher uma vítima? Pega essas dicas traduzidas pela musa Patricia Castro que administra o grupo comigo.

Um estupro não precisa se tornar um trauma, isso depende de acolhimento, veja esse relato da Bel Saide

2. É fundamental que a violência sexual seja discutida amplamente. Foi uma grande conquista abordar o assunto no programa Encontro com Fátima Bernardes “Estupro!”. Muitas mulheres nos encontraram a partir desse programa e puderam falar disso com alguém pela primeira vez na vida.

Globoplay

3. Vídeo para o Canal do Dr. Drauzio Varella sobre “Estupro”. Esse convite foi muito importante pra mim. Tive uma crise de choro muito forte depois da gravação e a equipe me acolheu. Obrigada! Ver a seriedade de todos foi comovente.

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4. O que não devemos dizer para uma vítima de estupro? Muitas vezes não sabemos agir diante desse tipo de relato. No vídeo “Como ajudar uma vítima de abuso”eu falo um pouco sobre isso.

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5. Falando sobre estupro sem medo. Live onde tiramos dúvidas da audiência em parceria com a Olivia Godoy do canal Olivices. Muito bacana pra quem quer compreender mais sobre o tema.

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6. Por que é tão difícil acreditar nas vítimas? Mesmo com dados oficiais de 1 estupro a cada 11 minutos no país é só alguém falar publicamente que foi estuprada pra muita gente acusa-la de mentir. Por que será que isso acontece e o que você pode fazer a respeito.

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7. Essa reportagem sobre Violência sexual em relações consentidas mostra como a cultura da violência e do estupro atingem a todos: Fui estrangulada durante o sexo’: as mulheres que enfrentam violência em relações consentidas

8. Será que eu sou uma pessoa violenta? Com que grau de violência estamos habituados no nosso cotidiano? Recebo muitos relatos de mulheres e homens perguntando se o que viveram foi realmente um estupro e era em 100% das vezes. Será que estamos perdendo a capacidade de reconhecer as violências sistêmicas e individuais que enfrentamos?

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9. Por que as vítimas não falam? Que tal refletirmos juntos as razões desse crime ser tão subnotificado? Fiz uma enquete outro dia no grupo perguntando o que as sobreviventes acreditavam ser mais relevante pra falar em rede nacional sobre isso e a resposta foi em uníssono: "Que a vítima não tem culpa". Por que será que ainda não compreendemos isso?

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10. Como nos acostumamos muito com violência, achamos normal algumas coisas que não são normais. Amor não persegue e esse vídeo aborda o assunto de homens que perseguem ex namoradas ou mesmo mulheres com as quais nunca se relacionaram Homens perseguidores

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11. Como curar um trauma? Com a participação da Terapeuta Helena Martins, alguns passos que podem nos ajudar nessa caminhada!

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12. Por que é tão difícil se livrar da culpa? O paradoxo da culpa é uma reflexão inspirada no livro "Do que estamos falando quando falamos de estupro"de Sohaila Abdulali. Recomendo muito essa leitura!

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13. Uma reflexão importante sobre o poder e o abuso sexual. Neste vídeo João de Deus e o Estupro nosso de cada dia resolvi fazer algumas considerações ao observar como as pessoas estão reagindo a algo que é tão comum no país. Se você se chocou com esse caso, esse vídeo é especialmente pra você.

Aproveito pra agradecer todos que estão trabalhando com afinco pra que essa realidade mude! Vocês estão nos dando uma grande oportunidade de ver as coisas como são e só assim é possível construir um mundo melhor, obrigada!

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14. Existe um habito social de falarmos sobre violência apenas com as mulheres que geralmente já sabem bem o que é e como agir. Precisamos trazer os homens pra essa conversa, isso é urgente! Homens, precisamos de vocês pra acabar com assédio e estupro. Acredito que é o primeiro vídeo que eu fiz sobre esses assuntos.

FUI ESTUPRADA, E AGORA?

15. Fui estuprada, e agora? Pra onde vou? Hospital ou delegacia? HOSPITAL, SEMPRE! Com a participação do responsável pelo atendimento a vítimas no maior hospital de referência em saúde da mulher no Rio Grande do Sul, o médico ginecologista Jader Burtet. Ele também é responsável pelo treinamento de novos médicos.

Não existe nenhuma doença que atinga tantas pessoas no Brasil como o estupro e ainda não temos uma política publica eficiente sobre isso.

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Diretriz do ministério da Saúde que deve ser usada no atendimento

16. E quando a vítima não quer falar? É muito comum, ao ouvirmos um relato de violência, acreditarmos que sabemos melhor que a vítima o que deve ser feito. Só que isso não ajuda de fato. Muitos maridos, namorados, namoradas, amigos e parentes de vítimas me escrevem perguntando o que fazer. Aqui tem dicas :)

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17. Contar também é MUITO difícil, mas é possível. Dicas para contar o que aconteceu — caso você queira contar com a participação da Carolina Nalon, especialista em Comunicação Não Violenta.

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18. Algumas pessoas alegam ser difícil entender os limites entre assedio e paquera. Esse é um guia pra elucidar algumas dessas "confusões" Assedio Sexual e Encontro Ruim — Qual a diferença?

Youtube

19. Nosso grande inimigo é o silêncio. Ja fiz algumas palestras para adolescentes e esse vídeo é sobre como falar com jovens é importante!

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VIOLENCIA SEXUAL E INFÂNCIA

20. O vídeo mais difícil que eu ja fiz na vida — confesso que nem tenho coragem de ver novamente. Mas considero ele importante, é sobre o que mudou na minha vida depois de tratar o meu trauma do estupro na infância. Como o estupro na infância afeta a vida adulta — um vídeo "forte". Assista quando você estiver bem

Youtube

21. Como falar com crianças sobre isso? Esse livro e este projeto Conte para alguém contribuem muito! Obrigada as autoras que autorizaram que eu gravasse o vídeo com a história completa :)

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22. A informação Protege — Série de vídeos educativos para crianças e adolescentes no do Canal Futura "Que corpo é esse?" e os vídeos da Fafa Conta Histórias!

Serie educativa do Canal Futura — A informação protege! Tb tem no Youtube
Pipo e Fifi e Não me toca seu boboca contados pela super Fafá conta histórias que deixou em destaque em seu site uma listinha de referências legais. obrigada Flavia Scherner :)

Precisamos falar com crianças pra que tenham vocabulário, relato da Vanessa Fortinho

23. Por que isso acontece? Por que a violência sexual contra crianças sempre aumenta? Palestra fundamental (e traduzida) sobre Combate à exploração sexual infantil com a maior pesquisadora da área Gail Dines

"Os adultos tem que saber o que está acontecendo e tem que defender as crianças. Esse é o nosso trabalho como adultos"

Combate a exploração sexual infantil com Gail Dines

24. Nesse vídeo da MILA Movimento Infância Livre de Abuso as próprias crianças estão dizendo como ensiná-las!!!

25. O Podcast sobre paternidade Entre Fraldas trouxe um episódio sobre violência sexual na infância. É um trabalho muito legal de pais preocupados em serem melhores pais sempre

Ouça no Site ou no Spotify

ESTUPRO VIRTUAL

26. Você já ouviu falar de estupro virtual? Pois é, essa modalidade de estupro está cada vez mais comum e fere crianças sem que elas saiam de casa. Acompanhe essa fala da delegada Paula Mary Reis de Albuquerque. Delegacia de defesa institucional que combate pornografia infantil e crimes de ódio na internet

Estupro Virtual — Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes — Youtube / Facebook

27. Vídeo excelente da Julia que contextualiza a violência sexual contra crianças no país e tem vários links para quem quer fazer algo a respeito. Tem muita coisa que você pode fazer, é só começar :)

Relato e dicas do sexólogo Mahmoud Baydoun

28. A violência sexual na infância e adolescência não é necessariamente sexo. Entrevistei a maravilhosa Juliana Aquino @juaquinoamor que nos contou dos abusos sofridos na família e como isso afetou a construção da Auto estima dela. Um vídeo forte e importante:

Os pais maltratam os filhos? Assita no IGTV ou no Youtube


30. Por que algumas mulheres responsabilizam as vítimas que sofrem violência e reproduzem o machismo? É disso que falo no video Mulher Machista

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31. Violência doméstica e sexual — essas duas violências estão super conectadas. A Maria Isabel Panter, que participa do nosso grupo de apoio, viveu momentos terríveis e chegou a acreditar que tirar a própria vida seria a única solução. Hoje ela está super bem e conta sua experiência.

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32. O trabalho infelizmente é um local de assédio constante. Nessa live eu e a Olivia Godoy do canal Olivices conversamos com a audiência e trocamos muitas idéias a respeito. Assédio no Trabalho

33. Guia prático de como lidar com o sofrimento — pra quem não sabe o que fazer quando alguém conta algo terrível: a gente não tem solução para todos os problemas, especialmente os das outras pessoas.

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34. A importância de pedir ajuda. Ninguém precisa passar por isso sozinha. Por favor peçam ajuda! Muitas mensagens que recebemos no grupo são de sobreviventes desesperadas e sim, é mesmo desesperador, muitas não resistem a essa dor. Eu mesma já tive muita dificuldade com isso mas garanto a vocês que vale a pena pedir ajuda!

Youtube

35. Muitas pessoas estão unindo força pra falar sobre isso. São milhares de relatos e aqui selecionei alguns deles, especialmente os que tem vídeos:

36. Sexo depois do estupro parte 5 — Contar ou não contar? Aqui temos uma série de 5 vídeos falando apenas de sexo depois do estupro. Parte 1: Sexo depois do estupro. Parte 2 — padrão comportamental depois do estupro. Parte 3— verbalizando o estupro. Parte 4 — se não ha consenso, é estupro.

Série de vídeos pro canal SEXnap

37. Precisamos urgentemente mudar a maneira como vemos sexualidade. Essa revolução já começou, faça parte!

clique aqui pra baixar do site gratuitamente

VIOLÊNCIA SEXUAL E SAÚDE

38. Atenção profissionais de saúde! Até mesmo um atendimento no dentista pode retraumatizar uma vítima, no livro da Sohaila, ela aborda isso muito bem:

39. Especialmente se você for homem, assiste esse documentário abaixo, que mostra muito do que precisamos modificar em nós:

40. Estes relatos mostram qual a postura esperada de um homem em uma situação de possível abuso:


41. No podcast Baseado em Fatos Surreais que eu faço junto com a Marcela Ponce de Leon, nós contamos histórias de muitas mulheres, mostrando que cada mulher é um universo. São mais de 100 episódios publicados e entre eles temos alguns casos de assédio e estupro. Deixo aqui alguns deles aqui:


42. Em média, 86% dos estupros reportados a polícia nos EUA nunca chegam a julgamento. Essas são imagens do incrível filme I’AM EVIDENCE. Recomendem a todas as suas amigas e amigos policiais. Peçam que eles assistam o documentário completo. Percebam porque a quantidade de estupros é alarmante — no nosso país é igual e nem temos todos esses parâmetros. NO BRASIL NÃO EXISTE O KIT, alguns hospitais guardam evidência de sêmem no hospital quando encontram (o que não é simples) mas é raríssimo que a polícia solicite esse material. Aqui a coisa é feita “a moda antiga” com o reconhecimento do agressor visualmente, como me informou o diretor de atendimento a vítimas em um hospital de referência.
Por que policiais ignoram as vítimas?
Por que a justiça finge que fará algo e não faz nada?
Por que as negras e pobres são as mais prejudicadas?
Precisamos mudar isso e precisamos de todos pra conseguir.

43. Existem muitos filmes, documentários e séries importantes que abordam a violência sexual. Deixo aqui alguns deles:

Documentários: City of Joy — uma cidade que acolhe mulheres vítimas de estupro de guerra. Fundamental para compreendermos a dimensão da destruição estrutural que o estupro causa e como voltar a viver depois disso. Tell me who I am — provavelmente o documentário mais importante sobre o tema lançado em 2019, que narra a trajetória de dois irmãos que foram vítimas de abusos na infância. Prepare o seu coração! I'am Evidence é um documentário que elucida como o estupro é tratado na sociedade e porque os casos não são solucionados, especialmente quando falamos de política e segurança pública.
13 Reasons Why (pra ver ocm os filhos) é uma série que eu tenho ressalvas porque mostra uma vingança depois da morte o que eu acho péssimo alem de ter elementos de roteiro machistas como o rapaz "salvar" heroína mesmo depois de morta. Porém é uma série importante, que abalou a sociedade por mostrar coisas que preferimos ignorar no ambiente escolar e especialmente na segunda temporada o tema da violência sexual é brilhantemente abordado. Unbelievable é uma série sobre como é complexa a situação da denúncia de um estupro. E olha que ela se passa em condições muito melhores que no Brasil. É excelente para vítimas e para quem quer ajuda-las. Abaixo um trecho interessante que está no youtube:
trecho da série "Inacredivável"disponível na Netflix que mostra a dificuldade das pessoas em reconhecerem um estupro mesmo quando descrevem um
Leaving Neverland — Um documentário importante de embrulhar o estômago sobre como Michael Jackson convivia com crianças e as manipulava. Ele levanta acusações de pedofilia e mostra áudios e evidências terríveis, e assustador como homens poderosos podem ser predadores. Spotligth — muitos filmes no cinema relatam a pedofilia na igreja católica mas esse é realmente uma aula de como destruiram vidas e optaram por fazer isso. Quando um padre é denunciado ele simplesmente é trocado de localidade e continua sua trajetória de crimes.

Vou terminar esse compilado com um trecho do episódio 19 da 15 temporada da série Grey's Anatomy que impactou 2019. Um episódio inteiro dedicado a complexidade da violência sexual. Tente assistir porque vale muito a pena, inclusive para trabalhar o tema nas escolas:


Sheylli Caleffi atua pela erradicação da violência sexual. Criou o grupo de apoio a sobreviventes de violência sexual As Incríveis mulheres que vão morrer duas vezes e compartilha conteúdos educativos sobre o tema. Também dá aulas de sexualidade positiva para profissionais de saúde na Casa Prazerela Profissionalmente treina pessoas que precisam falar melhor em público ou em frente às câmeras. Atriz, Diretora Artística e Co-Founder do podcast Baseado em Fatos Surreais, sua especialidade é o “ao vivo”: eventos, lives, convenções, palestras, coletivas de imprensa, lançamento de produto, e todo tipo de apresentações, focando sempre em como compartilhar da melhor forma uma mensagem. Atua principalmente como Diretora Artística, Designer de Experiências e Treinadora de Comunicação. Executivos, escritores, empreendedores e palestrantes do TED, além de artistas dos mais variados, já passaram por esses treinamentos.

@sheylli / Facebook / Youtube / LinkedIn

Sheylli Caleffi

Written by

🎬 treino quem precisa falar em público 🎤sou facilitadora e palestrante 👭 trabalho pela erradicação da violência sexual 🎧 co-host do podcast @bfsurreais

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