A Elas, Tudo!

Os Jogos Olímpicos colocaram o bloco na rua. Depois da cerimônia de abertura magnífica, exceto pelo discurso longo de Carlos Arthur Nuzman, que ninguém quer ouvir, e da covardia de Michel Temer, fez bem aos olhos ver uma exaltação legítima a Brasilidade, a música e os costumes daqui. Nada de plástico. Já teve medalha de prata com Felipe Wu, no arco e flecha (me recuso a chamar de tiro com arco), time de basquete masculino dos Estados Unidos amassando a China, Sarah Menezes e Felipe Kitadai ficando longe das medalhas no judô e um inesperado ouro argentino, com Paula Pareto na mesma modalidade. Como é bom ter esporte para ver o dia inteiro.
Aqui se fala só de futebol, apenas futebol e nada mais do que futebol. Por isso é melhor ir direto ao ponto: Futebol Feminino do Brasil. Se existe um pouco de justiça nessa vida, a medalha de ouro tem de ir para as meninas de verde e amarelo comandadas por Vadão, o do Carrosel Caipira. Já fui um devoto da objetividade, reneguei esse esporte e disse que as moças pipocavam, mas não tem como não ficar ao lado delas, acostumadas a estádios e bolsos vazios. Com toda essa realidade, chegar em instâncias tão altas como uma medalha de prata olímpica já é muita coisa para a turma de Formiga, Marta e Cristiane.
Aqui se aprende a gostar de futebol contando o número de títulos. O Brasileiro gosta de ganhar, antes de tudo. As guerreiras do futebol são a resistência a tudo isso aí. Não é pouco.
O ouro olímpico para elas não é uma questão de expansão do negócio futebol feminino. Parece que por aqui a moda não vai pegar. É uma justiça as convocadas para esses Jogos, a Pretinha, Michael Jackson, Sissi, o finado Zé Duarte. É uma dívida histórica a mulheres que muitas vezes sequer podem assumir com tranquilidade a homossexualidade, visto que militam num dos meios mais conservadores e moralistas que já vimos. É a paga justa a quem passa meses desempregada, sem mídia, sem condições para treinar. É o tapa na cara do machismo, dos noias de estatística e fundamentalmente, do lado segregacionista do esporte. Quem tem caráter, tem de aderir as camisas amarelas das moças. É por um mundo melhor.