O Verde da Vitória

por el suelo, hay la verdolaga

A Libertadores 2016 já tem dono. O Club Atletico Nacional, da cidade de Medellín, departamento de Antioquia, Colômbia, é o novo rei do futebol sul-americano. Foram 33 pontos em 14 jogos, com 10 vitórias, 3 empates e uma derrota, para o Rosario Central, por 1–0. O time verdolaga anotou 25 gols, todos narrados pelo dramático Munera Eastman, e sofreu apenas 6. Levantou a taça em casa, diferentemente de 1989, quando tinha Higuita, os finados Escobar e Usuriaga e o estiloso Leonel Álvarez, que entrava em campo com sua serpente de estimação. Na ocasião, mesmo sendo o mandante, se viu obrigado a jogar no El Campín, em Bogotá, e não no magnífico Atanasio Girardot. Nesse ano, bateu o recorde de pontos na história da competição continental e nos deixou como legado um time incrível que dificilmente será esquecido pelos fãs do futebol. Pelo menos os não tão ranzinzas.

Vivemos a era dos asteriscos no futebol. Um título nunca vem sem um questionamento. Geralmente sem argumentos lógicos. Eles bradam: “O Corinthians de 2015 manchou o campeonato, a LDU é só altitude, O Chile tem sorte!” e outros devaneios. É verdade que as arbitragens do nosso tempo criam uma conjuntura favorável aos adeptos da corneta, mas eu não creio que o título do time colombiano caiba no famoso “se vocês soubessem o que aconteceu ficariam enojados”. Aqui no Brasil a eterna mania de subestimar a Libertadores, os times menos conhecidos e de se justificar o fracasso apontando a tudo, menos os motivos reais, favorecem essa idade de poucas luzes do esporte bretão. Claro, não é só aqui, mas o tal do “não ficaria nem entre os 10 do Brasileirão”, que é parte do problema, e não solução, cada dia ganha mais força.

Os detratores do novo campeão da Libertadores dizem que os árbitros ajudaram, mas isso não é justo com Armani, Davinson Sánchez, Henríquez, Sebastián Pérez, Guerra, Marlos Moreno, Ibarbo, Copete e o pistoleiro Borja. Nem com o estratega Reinaldo Rueda, que apostou em um plantel grande para enfrentar as competições que teria, numa filosofia de jogo que sufoca o adversário e que extrai o melhor dos seus jogadores. O vergonhoso pênalti não dado em Hudson, no jogo de volta da semi-final poderia ter mudado esse estado de coisas, mas nos privaria de ver o melhor time erguendo a taça e fazendo a festa no seu magnífico estádio, popular e aconchegante.

Dizer que o Atlético Nacional foi campeão ao arrepio da lei é equivocado. Diz mais sobre quem tem esse pensamento do que sobre os vencedores. Se no Brasil podemos aproveitar algo mais do que os jogadores Verdolagas, que devem buscar contratos melhores longe da nação cafetera, é parar de colocar asteriscos, aplaudir e aprender.