A Febre do Infinito do Mattüs é o segundo lançamento da Sirva-se como editora

A Febre do Infinito, segundo livro de Mattüs — por R. Silva

Por Sirva-se

Sexo, drogas, suicídio em massa, violência, críticas sociais, hecatombes, tretas conjugais nos moldes das relações líquidas (Bauman que o diga) e um pouco de rock e MPB. Assim é ambientado o universo do escritor natural de Palmeira dos Índios e residente em Maceió, Mattüs.

O cara lança agora o seu segundo romance, A febre do Infinito (2018), um lançamento da Sirva-se Edições Alternativas em parceria com a Livrinho de Papel Finíssimo Editora, de Recife.

A recente publicação é uma continuação indireta de O beco das almas famintas (2016), livro de estréia do autor que trouxe como ambientação narrativas que se passavam na Cidade Sereia, uma pequena metrópole sanguinária habitada por cracudos, pastores picaretas e o encontro escatológico com o bode preto. O curto romance é dividido em pequenos capítulos, quase contos, que dão conta de narrar uma sociedade falida comandada pelo Deus dinheiro e a desesperança com a humanidade.

A Febre do Infinito tem no enredo a personagem principal Pedro, um figura que perde a namorada num ritual de suicídio em massa. Sacana que é, ele aproveita a morte da ex amada para afanar em seu apartamento os seus discos raros. O acontecimento é o ponto de partida para o desenrolar da trama, acaba pondo em risco toda a tranquilidade da Cidade Sereia, para ser mais preciso, o bairro mais nobre, conhecido como Praia Vermelha (PV).

Os dois livros do autor — Foto: Luiz BZG (Sirva-se)
“O enredo é crítico e fictício, logo resolvi não fazer uma “história de final fechado”, como fiz em “O Beco…”, tudo em “A Febre do infinito” é bem aberto, tanto que a ordem de alguns capítulos foi trocada só para intrigar o leitor. Como o número “8” é a referência presente em todo o livro, a obra foi dividida em oito capítulos, onde o oitavo capítulo tem oito partes e a oitava parte do oitavo capítulo possui oito parágrafos”, explica Mattüs.

As influências durante o período de produção do livro vão desde o que ele estava lendo no momento, que no caso foram os escritores: Clarice Lispector, Lourenço Mutarelli e James Joyce até publicações sobre seitas suicidas.

Mattüs acredita que o caminho para continuar jogando no mundo seus escritos e ter a liberdade para produzir é optar pela autopublicação/publicações independentes. “Acredito no poder da autopublicação como não se ter barreiras para dar forma as suas ideias. Basicamente, a autopublicação (dos fanzineiros aos livreiros) é uma prova que o melhor caminho deve ser o de mandar todo mundo se foder e lançar livros como você bem entender”, defende.

Ilustrações que dão imagens aos contos — por: Daniel Contin

A nova empreitada foi escrita em seis meses. O cara tem usado o esquema de fazer um “rascunhão” com praticamente um pouco mais da metade da obra numa vomitada só e, a partir disso, depois de um longo período no limbo, voltar a trabalhar no texto. Na medida em que os capítulos iam ficando prontos, ele mandava uma versão atualizada para um amigo ilustrar. “É um processo maravilhoso no começo, legal no meio e meio insuportável no final, mas o resultado impresso compensa qualquer dor de cabeça e ataques de pânico”, acrescenta.

Participam do livro: Daniel Contin (Ilustração), Dhiego Simões (revisão), Livrinho Editora (diagramação), Sirva-se Edições Alternativas (impressão).

Mattüs- por: R. Silva

Mattüs — besta do submundo das antiartes e agitos psicoquímicos — é uma aberração natural de Palmeira dos Índios (AL) e habita o underground maceioense há mais de uma década. A figura surgiu na literatura através do universo dos fanzines, sendo editor do grotesco zine marginal “Spermental” (2006–2013), “O Novo Pagão”, “Histórias pra Belzebu Dormir” e colaborador dezenas de outros zines com malucos de todo o país. Em 2016, lançou “O Beco das Almas Famintas” pela Livrinho de Papel Finíssimo Editora, a obra é um romance recheado de fábulas escatológicas que deram origem à “massacrelândia tropical” em que suas histórias pútridas são ambientadas: neste livro-inferno são abertas as portas da Cidade Sereia, uma pequenina metrópole sanguinária que odeia os miseráveis e está disfarçada de Califórnia brasileira, um reino de caos, diversão e destruição persiste, tornando-se um dos temas chave na narrativa de “A Febre do Infinito” (2018), segundo romance do autor.

O monstro também é roteirista/produtor da degenerada “Scoria Filmes”, produtora filmes trash/experimentais nascida há mais de uma década e com cerca de 10 trabalhos; dentre eles, os curtas “Psychodemia” (2009), “O Panorama da Carne” (2013) e o média metragem “Surf Kaeté” (2015). Não satisfeito em destruir a dignidade da literatura e do cinema, Mattüs ainda participa do projeto antimusical “Power of The Nóia”, antibanda que carrega quase uma dezena de lançamentos recheados de insucessos.

LANÇAMENTO

O livro já vem circulando ha certo tempo e Mattüs tem feito o esquema de distribuição de forma direta, de mão em mão ou por correspondência. Mas quem quiser sacar um pouco melhor da obra e trocar uma ideia com autor antes de adquirir a sua cópia, o figura vai lançar o material na próxima sexta-feira (16) ao som de música suja e barulhenta no evento Fim do Mundo que acontece no Pub Fiction, bairro da Jatiúca, em Maceió. Corre pra lá e garante teu exemplar, que as cópias são numeradas e limitadas!

Cartaz do evento onde Mattüs lança A Febre do Infinito na próxima sexta-feira (16)
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