A Morfina revisita o rock brazuca dos anos 70 em Farta Evanescente

Duo alagoano irá se apresentar nesta sexta-feira (7), na 10º edição da Muquifo Sessions

Jean Albuquerque

O duo alagoano Morfina é composto por Igor Peixoto (guitarra/vocal) e Reuel Albuquerque (baixo/vocal), lançaram em 2016 o Farta Evanescente, álbum de estreia cheio de referências ao rock nacional produzido nos anos setenta. Nesta sexta-feira (7), os caras voltam aos palcos acompanhados de músicos locais para uma apresentação na 10º edição da Muquifo Sessions.

O disco foi todo produzido em casa, desde os arranjos até a composição das letras, e a única participação no registro além da dupla foi a parceria da Lyara Cavalcanti com Igor Peixoto nas músicas, Alguém e Meu lar.

A partir daí era tudo bem colaborativo, do arranjo que iríamos usar aos instrumentos que gravaríamos. Fazíamos sessões, geralmente na madrugada, na casa do Reuel e começávamos a gravar, já com a música escolhida para a sessão bem familiarizada pelos dois”, comenta Igor Peixoto.

A arte do CD foi feita por Reuel tendo como ideia inicial produzir colagens que remetesse ao universo feminino. As produções foram submetidas a votação secreta e o duo acabou escolhendo a mesma arte.

“Posso dizer que nosso cotidiano influencia em muitas músicas, não em todas. Sei que funciona assim com as letras do Reuel também. Lembro de ler alguns livros nesse período, como “A Barba Ensopada de Sangue” do Daniel Galera, “O Irmão Alemão” do Chico Buarque, “A Caverna” do Saramago e alguns outros, mas acredito que as influências das leituras foram mais indiretas, incentivando a criação de imagens e personagens nas nossas mente, acho que funciona assim comigo”, revela Peixoto.

O Farta Evanescente teve uma boa aceitação na mídia independente especializada, chegou a ter matéria publicada nos sites: Monkeybuzz, Tenho mais Discos Que Amigos, Papo Alternativo, Território da Música, Scream & Yell, entre outros. Em solo alagoano, com o disco, eles chegaram a tocar no Festival Carambola, junto com Wado, Mopho e Gato Negro, além da abertura do show em maceió da banda Plutão Já Foi Planeta.

Ao vivo o duo soma esforços a músicos locais com passagem em outros projetos, dentre eles, Yuri Oliveira, que toca na Gato Zarolho; Vitor Peixoto, músico regular do Wado e da Gato Zarolho, também já tocou e gravou discos com muita gente massa por aqui (Marinho, Lili Buarque, Figueroas, Felipe de Vas, entre outros), além de alguns outros músicos que substituem o time principal, como é o caso do do Rodrigo Peixe (Wado, Divina Supernova, Living In The Shit, Xique Baratinho) e do Marinho que tem um projeto solo com o mesmo nome e também já tocou com os caras.

“Desde o início sabíamos que para tocar o disco ao vivo, com o máximo de fidelidade possível, teríamos que formar uma banda de pelo menos mais dois integrantes. Acho que estamos muito bem acompanhados ao vivo. Usamos também samples eletrônicos para simular os efeitos que colocamos no disco em estúdio e tentamos fazer sempre um show enérgico e próximo do que foi gravado”, defende Peixoto.

No som dos caras dá pra perceber uma influência forte do rock nacional produzido nos anos 70, uma sonoridade que lembra os Mutantes e bandas que fazem um pop contemporâneo, e os sons que eles costumam ouvir sempre: Haim, Sufjan Stevens, Animal Collective, Vampire Weekend, Arcade Fire, Dirty Projectors, Mahmundi, Mopho, Wado, Roberto Carlos, Gil, Caetano.

O projeto surgiu da amizade da dupla ainda na faculdade, entre projetos, trabalhos do curso e o interesse comum por música, filmes e o desejo de produzir algo relacionado a essas formas de expressão. Em 2013 surgiu a oportunidade por meio de um edital de submeter um roteiro de um curta que posteriormente foi aprovado. Nas reuniões, a dupla sugeriu que o nome da produtora seria Morfina, uma brincadeira com o fanatismo da dupla pela banda alagoana, Mopho, uma das principais referência do duo.

“O projeto do curta acabou não indo pra frente mas a nossa vontade de trabalhar em algo juntos continuou. Começamos a trocar composições e dialogar mais com a música, nossa paixão principal, até que compusemos em parceria a música “Seu Amor” em uma madrugada de trabalhos arquitetônicos, e achamos que havia um potencial ali, um entrosamento, nos animamos e começamos a gravar mais músicas e trocar mais ideias. Na hora de batizar o projeto o nome Morfina foi de novo escolhido”, conta.

O show

No próxima sexta-feira (7), os caras se apresentam na décima edição do Muquifo Sessions, junto com o Yo Soy Toño e a Kalouv (PE). “A gente tá bem animado! O Toño é um amigo, talentoso demais, temos alguns projetos sendo bolados juntos mas ainda não tocamos na mesma noite, ele nos convidou pra esse evento e aceitamos na hora. Vai ser massa! A Kalouv é uma banda que eu já conhecia, eles já vieram a Maceió duas vezes, se não me engano, e nas duas eu não pude ir. Agora, além de ver o show deles, faremos parte do evento! Bom demais”, conclui Peixoto.

Serviço:

MUQUIFO SESSIONS #10 — Morfina (AL), Yo Soy Toño (AL) e Kalouv (PE).

. Local: PUB Fiction;

. Data: 07 de Abril de 2017;

. Horário: 21h00min;

. Valor: R$10,00 (APENAS NA PORTA);

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