A Queda Livre do Jonathan Tadeu

Músico mineiro da Geração Perdida lança segundo disco solo

Por: Jean Albuquerque

Foto: Divulgação

Ouvir o disco novo do músico mineiro Jonathan Tadeu, Queda Livre (2016), é fazer uma viagem dentro de si mesmo sem guia, dialogar com o lado mais triste do autor, experimentar o som tocar dentro da gente, deixar as letras trazerem as reflexões, ser levado por guitarras ora arrastadas, em outros momentos dedilhada e uma típica melancolia que é tão comum no domingo quando você está na casa dos familiares e se vê obrigado a entrar no automático, fazer papéis sociais enquanto seu tio que não fala com você há anos vomita bêbado no jardim.

Jonathan Tadeu é bem ativo dentro do cenário alternativo de Belo Horizonte, videomaker, membro da Geração Perdida, já passou pelas bandas Quase Coadjuvante e Lupe de Lupe. A falta de pretensão faz com que seu som se torne sincero, é quase ir junto com o cara ao analista e ouvir as bads que ele acumulou durante a vida, desenterrar com uma pá todos os ressentimentos e ainda revisitar os momentos em que você se sentiu sozinho, saiu pra tomar um porre com os amigos, os relacionamentos que não deram certo, as relações familiares fracassadas.

São dez faixas com influências que vão do rock alternativo dos anos 90 ao indie rock Lo-fi. O disco novo é antecedido por Casa Vazia (2015); onde é possível notar uma atmosfera mais otimista, um Jonathan que pensa que podemos reverter o jogo e alcançar a felicidade quando estamos rodeados por amigos. “Martini” é uma faixa cheia de áudios de whatsapp que prova isso, música que foi meu mantra nos momentos de chapação em 2015.

A faixa que leva o título do disco é quase uma súplica: “Eu não preciso de desculpa pra voltar / Mas me deixa uma pista quando precisar de mim / Por que você me faz correr / Mais do que qualquer outra já fez / Então, / Me convence logo / Me convence logo / Me convence agora / Eu só quero chegar em casa / Sem nenhum pecado / E nenhum estrago / Nenhum ato falho”.

Foto: Divulgação

Já a segunda faixa do disco, “Ninguém se importa”, funciona mais como um conselho para os corações feridos: “Talvez seja melhor / Aprender a lidar / Com a própria solidão / Antes de viver a dos outros”. O som “Diana Ross” dialoga com a faixa do primeiro disco “Whitney Houston”: “É como se eu tivesse feito Whitney Houston pra você / Só que 4 anos atrás e eu nem te conhecia”.

Mas nem tudo é tristeza, a última faixa do disco traz um título que pode muito bem funcionar como uma luz no fim do túnel, “O mundo é um lugar bonito e eu não tenho mais medo de morrer”.

A Geração Perdida é um coletivo de músicos, escritores, artistas visuais e tatuadores de Minas Gerais. Tem em seu time: Victor Brauer, Jonathan Tadeu, Fábio de Carvalho, Lupe de Lupe, Marcelo Diniz Silveira, Paola Perdida, Victor Brauer e Young Lights.

Bandcamp: https://jonathantadeu.bandcamp.com/

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