O rock lisérgico do BIKE
Banda paulista aporta em Maceió para tocar em uma das datas do Festival Muquifo neste domingo (4)
Jean Albuquerque

O som vem na pegada dos clássicos do rock das décadas de 60/70, com influências de Jards Macalé, rock anos 90, shoegaze e indie. É a junção dessas referências que dá cara a sonoridade da banda paulistana BIKE, uma das principais representantes brasileiras do que se convencionou chamar de Neo-psicodelia.
“Não temos a intenção de ser uma banda que soe retrô, o lance é usar as referências a nosso favor e misturar tudo”, destacam.
Ainda que meio recentes no rolê como um grupo, o BIKE têm integrantes que já passaram por outras bandas conhecidas no meio independente nacional, como é o caso da Macaco Bong, Sin Ayuda e The Vain. O primeiro álbum 1943 (2015), teve uma boa recepção da mídia especializada nacional e abriu as portas para que os caras ganhassem uma representação gringa pelo selo 30th Century Records, do produtor norte americano Danger Mouse.

Durante os mais de 30 minutos do disco de estreia é possível mergulhar fundo e fazer uma viagem dentro de si mesmo em cada uma das oito faixas. As vozes e as distorções criam uma atmosfera perfeita para a experiência junto com reverbs, delays e solinhos de guitarras a todo instante.
O título do álbum leva o ano da descoberta do LSD pelo cientista suíço Albert Hoffman. Referência perfeita, já que todas as letras são relatos de experiências vividas pelo Julito Cavalcante (guitarrista e voz) com o ácido. O álbum foi masterizado por Rob Grant, com trabalhos com as bandas: Tame Impala, Pond, Death Cab for Cutie e Melody`s Echo Chambres.
O SIRVA-SE trocou uma ideia com a banda que se apresenta em Maceió no próximo domingo (4), no PUB Fiction, em uma das datas do Festival Muquifo que ainda conta com as bandas: Lau e Eu (SE), Milkshakes (AL) e Dof Lafá (AL). Enquanto você lê a entrevista aproveite para ouvir 1943.
O álbum de estreia “1943” foi masterizado por Rob Grant, um nome de peso por já ter trabalhado com Tame Implada, Pond, Death Cab for Cutie e Melody`s Echo Chamber. Como se deu esse contato e o que a master somou para o resultado final do disco?
Entramos em contato direto com ele e o resultado foi muito satisfatório, não achamos que apenas uma master gringa reverberaria tanto, mas foi primordial pra deixar no padrão das bandas que curtimos e que trabalharam com ele.
O disco de estreia é fruto da brisa com ácido lisérgico. No caso do BIKE é mais fácil consegui o auge criativo quando se está chapado? Conta como funciona o processo de criação da banda.
Não necessariamente. Não diria que é mais fácil e nem que compomos apenas dessa forma. Mas todas as letras de 1943, são sim relatos e experiências que o Julio viveu. Atualmente, como banda, o processo é mais colaborativo, com composições de todos, e com as músicas vindo de jams, ou alguém traz uma base/linha e todos trabalhamos juntos nela.

O time é composto por músicos experientes com passagem por bandas conhecidas no rolé nacional, como por exemplo, a Macaco Bong. Como conciliar as bandas, tour, compromissos? A passagem por outros grupos ajuda a trazer uma maturidade ao som?
Sim, ajuda muito. Atualmente ninguém mais tem outra banda além do BIKE. No começo estava bem difícil de conciliar, mas a gente sempre deu um jeito e fez rolar com as outras bandas. Mas ainda hoje, o Gustavo que tem uma luthieria, e o Diego que tem um estúdio, tem que se rearranjar com os clientes, mas rola numa boa. Mas com certeza, a passagem em outras bandas ajuda muito, temos 1 ano de banda tocando juntos e a gente se entendeu muito bem, já sabemos como lidar.
Algumas bandas têm optado por voltar ao passado e encontraram no rock psicodélico dos anos 60 a onda perfeita. Desde o início do BIKE foi uma escolha optar por fazer um som nessa pegada? E qual a sua opinião sobre o que vem sendo produzido aqui no país nesse sentido? Já é possível perceber uma cena.
Sim, desde o início a ideia era o som ser bem psicodélico, mas não tem jeito, acabamos jogando um pouco de anos 90, shoegaze, indie… não temos a intenção de ser uma banda que soe retrô, o lance é usar as referências a nosso favor e misturar tudo.
O país está vivendo uma fase muito boa, e o mais legal é que são várias bandas de vários Estados, de Norte a Sul do país bebendo das mesmas referências e piras. Esperamos que só cresça e que todas as bandas cresçam junto com isso tudo.

Vocês foram chamados pelo selo 30th Century Records para integrar uma coletânea e tem para este ano a proposta de um empresário de levá-los a Europa. Como está esse processo? Vai rolar mesmo essa tour? Além da Europa os gringos podem esperar vocês em outros lugares?
Este ano não conseguiremos ir infelizmente, acabamos focando em rodar o máximo possível aqui no país, encarando tanto festivais quanto inferninhos pelos interiores, e a resposta tem sido ótima. Além disso, gravamos o segundo disco no meio disso tudo. A meta é focar no Brasil, e tentar cair pra gringa no meio do ano que vem.
Vocês aportam em Maceió para tocar na primeira edição do Festival Muquifo com a Lau e Eu de Sergipe e outras bandas locais. É a primeira vez no Nordeste? Fala um pouco sobre … O que vocês esperam do público? Além das praias tem algum lugar que pretender conhecer depois do show?
Sim é a primeira vez do BIKE no NE. O Julio e o Diego já tinham vindo em 2012 com o Sin Ayuda e já tinha sido inesquecível, a meta é surpreender e ser surpreendido. Os shows em Aracaju e Salvador foram bem quentes, conhecemos gente muito boa e interessada no nosso som e no que anda rolando. É sempre muito bom ir pra lugares novos, por que nem sempre tem shows de bandas de fora, e essa troca de ideias é foda. Conhecemos bandas fodas da região no caminho, muita banda boa. Além das praias o que vier é lucro.
Dessa vez teremos 3 “day-off”, de resto é tocar/dormir/estrada/comer/tocar, tocar, tocar…… Finalmente poderemos turistar um pouco. Passamos por diversas cidades do Brasil, mas dificilmente dá pra passear, a correria é monstra!

SERVIÇO:
O que: Festival Muquifo — BIKE (SP) + Milkshakes (AL) + Lau e Eu(SE) + Dof Láfá (AL)
Quando: 4 de setembro, às 18h
Quanto: R$ 10,00
Onde: PUB Fiction
