SIM!!!

Hoje vou contar-vos uma história. Gostam de histórias de amor?

Era uma vez uma menina…essa menina era de Coimbra (dizem que é a cidade dos amores concordem ou não, mas é! — quem manda nesta história sou eu), mas não me quero perder com isto. Essa menina chama-se Sofia e estudou muito (sempre foi boa aluna a magana), estudou nem sabia bem para quê mas foi parar a enfermagem…fez o curso, e foi trabalhar para Leiria..

Vocês podem não saber, mas ela sempre quis ficar em Coimbra, e no entanto veio parar à cidade do Liz. Adiante (vou virar a página), quando chegou a Leiria a primeira coisa que viu foi o Castelo (e que lindo castelo).

Um dia, em conversa, referiu precisamente isso, que o castelo foi a primeira coisa que viu…e disseram-lhe que Leiria tem uma espécie de mito, profecia, e que diz que quem vem viver para Leiria e vê o castelo em primeiro lugar, “arranja” lá um amor para casar ( estranho, ridículo pensou ela, poderia funcionar para os outros mas não para ela…ela queria voltar para Coimbra).

Nem tudo correu sempre bem em Leiria, houve momentos difíceis, mas um dia leu Chico Chavier…

“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. 
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. 
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos…
Tudo bem!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum… 
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. 
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.”

Ela não quis ser uma pessoa “mais ao menos” e ultrapassou tudo…

Bem…como disse, ela era enfermeira…num dia normal, foi trabalhar e teve um doente que iria ser operado a um joelho…por coincidência a um ligamento (tinha de haver uma ligação)… adiante, esse doente estava na cama 18 e chama-se Jóni…sim…Jóni mesmo assim…não é abreviatura nem diminutivo…é mesmo Jóni…vou-vos confessar que o rapaz é bonito (e lá só se vêem velhotes)…A cirurgia não correu muito bem, e o rapaz foi ficando e ficando, e a Sofia descobriu que tinha um amigo em comum com ele…o “Bimbo”…e apartir daí houve conversa…houve tema, sim porque antes era só uma fada madrinha a “empurrar o destino deles” (ela corava quando lhe diziam “este rapaz é que era bom pra ti”), bem…houve uma alta, houve um coxo, houve um jantar, houve saídas, houve conversas…eles quase que eram amigos…mas o Jóni percebeu que era amor…dos dois… Ajoelhou-se e pediu-a em namoro….

Ela no início era muiiiiito desconfiada…mas isso era atenuado pelas gargalhadas dela, pela felicidade que também ele lhe trouxe…eles namoraram…conheceram-se melhor, foram viver juntos, tiveram muitas férias, viajaram, “aturaram-se” muito…sabem…ela é muito prática…é “terra a terra”, “tu cá, tu lá”, não olhava muito pró que gastava…é bruta às vezes…”diz e pensa só a seguir”…ele é mais complicado, mais perfeccionista, mais de discursos (embora ela fale mais), mais calmo (pra ele foi a pilha, pra ela foi a bateria), mais poupadinho…mas os dois deram-se sempre bem…uma gastava detergente…assim ele podia ralhar…ele não lavava a loiça, assim ralhava ela…mas os dois eram meigos…carinhosos um com o outro…

(bem…ja leram muitas páginas…abreviar abreviar)

Eles estavam prestes a ir de férias…foram limpar a casa em conjunto (casais modernos sabem) e foram jantar fora porque era o primeiro dia de férias…foram jantar a um restaurante com vista para o castelo (o tal), na varanda (diz que era o unico lugar disponível, sim sim…) e estava frio porra…por “coincidência” estava a haver musica ao vivo…eles jantaram…que ótimo jantar…ele falou, ela falou…e quando estavam para vir embora vem uma rapariga entregar um evelope à Sofia…ela pensou que fosse um convite para ir a outro bar, para mais musica ao vivo naquele dia naquele restaurante…mas não…era do Jóni…contava mais ao menos esta história, história que a fez chorar (sem ele ver, porque ela fica corada de vez em quando) e no fim da carta lida, e Álvaro de Campos diz que

“Todas as cartas de amor são Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas”.

havia um anel preso com a linha do amor deles, houve um novo ajoelhar, e um pedido de casamento…

“Sofia Sineiro, aceitas casar comigo?”

Ela disse que sim…muito envergonhada…mas disse que sim com toda a certeza do mundo, com um montão de gente a olhar para eles…

Essa menina sou eu…e esta história é a minha… vou continuar a escrevê-la…mas agora com o meu Jóni (que é mesmo Jóni):

O casamento é o fim do romance e o começo da história”, Oscar Wilde, e portanto…

aceito casar contigo Jóni Batista…

Era uma vez…

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