Abade pela lente dos mais pequenos

Não estava nos nossos planos irmos também à roça do Abade para fazer um workshop de fotografia. No entanto, eu e a Alexandra ficámos rendidos pela paisagem e pelas pessoas bem dispostas, quando lá passámos na volta de jipe com a equipa do jornal e quisemos conhecer melhor aquela comunidade com a ajuda das crianças.

Quando chegámos mal se viam “os mais novos”, mas com a ajuda de um dos nossos voluntários locais tudo mudou: “vai chamar meninos da tua idade para tirarem umas fotografias”. Não foram precisos mais de cinco minutos para aparecem não só os dez que estavam previstos, como se começaram a multiplicar. É difícil ter que escolher só alguns, quando o que me apetecia era ter máquinas digitais para todos. Mas não dá. Restringimos a crianças entre os 8 e os 12 anos, juntando o grupo na Escola — reabilitada em 2013 por voluntários da SFA.

Depois de uma breve explicação sobre o funcionamento básico do equipamento, saímos à descoberta escoltados por duas dezenas de miúdos a acompanhar a atividade. Não sei se foi por ser a terceira vez a desenvolver o workshop (depois do Picão e de Porto Real), mas conseguimos controlar melhor o grupo. Todos obedeceram às regras definidas, ninguém discutiu, não houve empurrões e — tanto durante a atividade, como no fim — recebemos muitos sorrisos. Os pescadores que trabalhavam as redes na areia falavam connosco e pediam fotografias. Mostraram-nos como se abre um tronco de árvore durante quinze dias à machadada e se faz uma embarcação. O resultado das fotografias dos miúdos não foi bom, foi excelente. Apetece voltar e aprender mais histórias de vida. E vamos voltar.

Nuno G