As coisas simples do Príncipe

Fazer o testemunho no final da minha estadia na ilha acarreta consigo o peso do tempo e das emoções sentidas ao longo das últimas 4 semanas. Cheguei à ilha no início de Agosto e desde o primeiro segundo, senti um enorme sentimento de acolhimento por parte de todas as pessoas do Príncipe.
 
 Apercebi-me desde o início que na ilha dos sonhos não é preciso muito para se ser feliz. Saio de casa e a Dania corre para mim de braços abertos e chama “Anaaa” com um sorriso rasgado e que me faz começar o dia da melhor forma. O Arlindo e o Kley esperam por mim e pela Maria Inês para nos levar até à comunidade de São Joaquim para realizarmos mais uma atividade de clube de leitura e ATL. Quando chegamos as crianças correm para a sala onde temos realizado as atividades, fazemos uma roda e cantamos todos juntos, lemos e relemos o “Cuqedo” e mesmo assim as crianças continuam radiantes a escutar-nos.

É recompensante chegarmos à última semana de trabalho na comunidade de São Joaquim e sabermos que o trabalho desenvolvido deu frutos. No primeiro dia encontrámos um grupo super agitado, sendo que tivemos bastante dificuldade em desenvolver o clube de leitura. Ao longo das semanas tivemos que nos adaptar, ensinando várias canções que cantávamos juntos antes de dar início ao clube de leitura. O facto de termos utilizado esta estratégia fez toda a diferença no grupo e a diferença foi notória ao longo das quatro semanas de atividades.

No caminho de volta para a cidade de Santo António penso na simplicidade das coisas que nos fazem felizes neste canto do mundo. Ao chegarmos a Santo António, as crianças já estão em nossa casa a fazerem desenhos e a brincar acompanhadas pela Filipa e pelo Duarte. Ver a nossa sala cheia de alegria arranca-me um sorriso da cara.

No final do dia percorro a estrada de Porto Real com a Né e os computadores nas nossas mãos e vamos até à escola de Santo António para dar a aula de informática. Nesta aula, construímos o currículo no Word, e a vontade de aprender dos nossos alunos motiva-nos a querer ensinar mais e mais. O tempo, este passa depressa e quando saímos já é noite.

E assim passamos um dia na ilha do Príncipe… e de repente passou um mês. A hora de despedida chega mas fica um sentimento de missão cumprida.

À ilha do Príncipe agradeço por me ter feito ver que são as coisas mais simples e mais pequenas do dia-a-dia que trazem a verdadeira felicidade, que nos desenham um sorriso no rosto e ao mesmo tempo nos aquecem o coração. Espero voltar muito em breve!

Ana

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