Da necessidade nasce o engenho
Numa onda encontro o meu destino e no passeio estreito da estrada de Porto Real sigo para o que acredito dar-me uma felicidade plena perdida no brilho daqueles que me esperam a meia hora da hora marcada. O sorriso escondido de uma cara cabisbaixa inspira-me e as aulas fluem a um ritmo marcado por eles.

O passeio estreito leva-me de novo a casa. Agora é tempo de fazer acontecer uma aula de empreendedorismo na Praia das Burras. O Litoney acolhe-nos com a sua calma e leva-nos para um outro paraíso. Na ilha somos abraçados com um sorriso genuíno de quem quer ir mais além, a comunidade reúne-se num ápice. Explicamos o que vai acontecer, damos as folhas que apresentam a nossa proposta de conteúdos e sinto no ar a vontade de aprender a saber ser, aprender a saber estar, aprender a saber.

Um estrondo interrompe a aula — é uma bola que atingiu o telhado. Na Praia das Burras de uma meia se faz uma bola e os carros de madeira têm matricula e garrafa de óleo. Das pedras grandes amontoadas se faz um tanque! Na verdade, da necessidade nasce o engenho e nesta comunidade sentimos isso. Releio por alto as inscrições, a preocupação é comum: evoluir a comunidade.

De volta à cidade, ainda há universidade: temos aula de informática, a turma é heterogénea e não há cansaço que os detenha de querer saber mais.
Chego a casa e a minha família de agosto faz-me sentir que a casa do Caetano é o meu lar doce lar. A Ana está a fazer um desenho para os mais novos e dá-me aquele “olá” que me faz revigorar a alma, o Duarte faz-me rir de mim mesma, a Maria Inês dá-me um abraço, a Filipa, com aquele ar maternal, pergunta-me se comi e a Rita pergunta-me se estou bem. E eu demoro na resposta porque simplesmente desfruto de uma felicidade plena que se deve a este lugar magnífico e a esta família que torna esta experiência ainda mais perfeita.
Né
