De barriguinha cheia

O campo de férias é a atividade do mês de julho que, na minha opinião, tem mais impacto na comunidade e que exige mais trabalho e dedicação. Este ano pude vivenciar novas experiências e ter uma outra perspectiva do campo de férias, uma vez que no ano passado integrei a equipa de animação e este ano estava responsável pela área da cozinha e limpeza.

Aprendi como amanhar o peixe, aprendi como moer a malagueta e aprendi que tudo isto só é possível com muita prática. Era vista como a branca desajeitada que demorava horas a fazer qualquer tarefa mas,ainda assim, nunca me disseram “não faças”, mesmo sabendo que estava a atrasar o almoço. Sempre me incluíram nas tarefas valorizando imenso o meu esforço, porque jeito é algo que não tenho mesmo. Enquanto preparávamos o almoço, contávamos piadas, conversávamos sobre as diferenças culturais entre os nossos países e atribuíamos “alcunhas” aos monitores. Era das melhores partes do meu dia e a prova de que o convívio que criávamos ali não tem preço estava no facto de ser o primeiro local onde qualquer monitor se dirigia assim que queria fazer uma pausa porque no fundo sabia que se iria divertir por lá.

Foi surpreendente ver a importância que as crianças e os monitores dão às refeições, acima de tudo pela qualidade que procuram atingir em cada uma delas. Existem 5 refeições (pequeno almoço, almoço, lanche ou mata-bicho e jantar) e inúmeras regras que devemos respeitar aquando elaboramos o calendário das refeições: se ao almoço for peixe então ao jantar terá de ser obrigatoriamente carne; o pequeno almoço era variava entre papa e pão com leite ou pão com chá, o jantar deve ser sempre a refeição menos pesada para ajudar na digestão — algo por vezes difícil visto que os pratos tradicionais são muito condimentados e cheios de hidratos de carbono.

A minha maior preocupação passou por garantir que as quantidades dos produtos que comprámos previamente fossem suficientes para cozinhar para 120 pessoas, bem como certificar que não estavam em falta nenhum dos condimentos necessários para confeccionar os pratos típicos da terra, receitas que o nosso Chef Marcelo sabe de cor. Estas “missões” não teriam sido possíveis de concretizar sem a ajuda da Maria que fez as compras em conjunto com os locais e do Francisco que estava responsável pela logística, pois diariamente surgiam sempre novas coisas na nossa lista de compras e era preciso descer à cidade para tentar arranjá-las.

No fim, o objetivo foi cumprido, as crianças foram de barriguinha cheia para casa e os pratos definidos no nosso calendário foram confeccionados, sempre com o improviso que é natural no Príncipe.

Resta-me agradecer a todas as pessoas que trabalharam connosco no campo de férias (monitores de equipa, monitores de apoio, monitores da cozinha e monitores de limpeza). Foram incansáveis, obrigada por tudo. Tamos juntos!

Beatriz

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