Ecografias, Parte I

Nunca é demais relembrar: agosto é o mês da cultura no Príncipe. No entanto, graças ao apoio do Hospital Lusíadas e da Alvita, este ano, Agosto é conhecido no seio da SFA como o mês da saúde. Durante quatro semanas, os três representantes desta área, com a ajuda dos restantes membros do grupo, fizeram de tudo para colocar em prática os objetivos do projeto: desde formações de primeiros socorros aos escuteiros, a suporte básico de vida aos agentes dos postos de saúde e, para finalizar, a nossa atividade “mãe” — o Gabinete Materno-Infantil e os Rastreios Abdominais com o ecógrafo SFA. Podemos dizer que se trata da atividade que nos obriga a uma maior atenção e, por isso, irei contar um dos nossos dias de ecografias, neste caso, na roça Sundy, uma das maiores da ilha!

Todas as manhãs, em que existem ecografias marcadas nos postos de saúde das roças, começam com a chegada do nosso voluntário local Dmitri a nossa casa a dizer para nos despacharmos. Há que relembrar que o Dmitri é tão pontual que chega sempre mais cedo que o combinado. Agarramos nas malas e material necessário e vamos com ele de boleia para o posto.

Quando chegámos à Sundy, esperava-nos a enfermeira responsável que, devido a um contratempo, nos deu uns minutos para dar uma volta enquanto foi buscar a chave e avisar a população da nossa chegada. Nessa volta, conseguimos ver um pouco da roça, a muralha com o relógio grande, os carris de um comboio que já não existe, o placar sobre a teoria da relatividade de Einstein, as fábricas que, em tempos, funcionaram, enfim, “fósseis” de outros tempos. Por fim, dirigimo-nos ao posto, que estava repleto de doentes e pessoas que desejavam realizar apenas um “check-up geral”, como costumam dizer.

Rapidamente, demos início à inscrição de todas as grávidas, uma vez que têm prioridade, e, de seguida, medimos todas as tensões arteriais, temperaturas corporais e ritmos cardíacos. Nesse dia, eu e a Sofia fomo-nos revezando, pois sabíamos que iria ser um dia bastante longo, uma vez que, após quinze minutos da nossa chegada, já trinta pessoas se tinham inscrito para o rastreio. Este fenómeno ocorre devido ao facto de só existir um ecógrafo no hospital da cidade e nem todos os habitantes das roças têm a possibilidade de se dirigir à mesma para marcar uma consulta. Assim sendo, toda a comunidade dá uma grande importância quando algum profissional de saúde se dirige ao posto de uma roça.

Começando pelo rastreio a grávidas, em primeiro lugar, observamos a tensão arterial e esclarecemos algumas dúvidas que estas possam ter. De seguida, vemos o feto, fazemos as devidas medições e, se possível, identificamos o sexo do bebé. No fim, fazemos sempre um apanhado do que a futura mãe deve comer, que vai sempre acompanhado de um tríptico com a informação mais pertinente. Nesse dia, demos consulta a cerca de vinte grávidas, no entanto, houve dois momentos que me marcaram por razões diferentes. Espero contar-vos em breve..

Bernardo