Não imaginei o suficiente

Para qualquer voluntário que nunca tenha vindo à ilha do Príncipe, a expectativa e imaginação são inevitáveis e, sendo moderadas, muito bem-vindas. Fantasia-se o clima, os mosquitos, as ruas, a comida, o peixe, a água do mar, a nossa incapacidade física na subida ao Pico, muita coisa. E tudo o que mais se ouve se adiciona à colecção de imagens que se constroem na cabeça como se de mais uma peça do puzzle se tratasse.

Durante todo o ano em que se aprende e trabalha o projecto e tanto se ouve falar do Príncipe, a natural ânsia e preocupação surgem! E, novamente, quando moderadas, são muito bem-vindas! Queremos antecipar as dificuldades, problemas, questões que vão, certamente, surgir no caminho e levar connosco as soluções e os planos “B”, “C”, “D” e “E” dentro da mala, (apesar de acabarmos sempre por usar o “Z nº 364” que afinal é o possível e até resulta bem).

A Sonha, Faz e Acontece actua tão bem no Príncipe graças aos seus voluntários locais. Independentemente do tema que fosse assunto de debate em reunião, acabava sempre por ser referida a importância dos nossos voluntários. “Obviamente significam uma grande ajuda para nós!”, pensei. Hoje, finalmente, os nomes que ecoavam em todas as reuniões ganham uma imagem que os acompanha! São eles: o Betinho (o nosso coordenador), o Dmitri, o Kley e o Nuno. E a peça do puzzle imaginário que eles representavam na minha cabeça era pintada assim: uns amigos a quem recorrer; uma mão amiga; uns conselheiros e uns peritos na ilha.

Acontece que não imaginei o suficiente…Não são só amigos, são parceiros, protectores, voluntários que andam connosco lado-a-lado, vigiando sempre pela retaguarda e, quando precisamos, avançam à nossa frente. Não são apenas pessoas a quem recorrer. São eles que nos guiam, dirigem no escuro e lideram naturalmente. Não são uma mão amiga, mas uma bóia de salvação. Provam dia a dia que sem eles seria impossível “fazer acontecer” da mesma forma, com o mesmo impacto, com o mesmo prazer e satisfação. Uns peritos na ilha, sim. Mas, além disso, são, sem dúvida, uns sábios em fazer encaixar o projecto que “aterra de avioneta” à realidade do “terreno” que procuramos.

São eles que dão vida aos programas, folhas de excel, planos de aula e tabelas (quase geométricas) de planificação. Em apenas 24 horas, tornou-se tão claro e esta é daquelas coisas que a imaginação não atinge: é ao passar pelas mãos deles que este projecto consegue o seu sentido.

Obrigada.

Margarida Marante

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