Na Ponta do Sol

Projeto Príncipe
Sep 8, 2018 · 3 min read

Acabadas de chegar à Roça Ponta do Sol, olhares curiosos de crianças, jovens e adultos seguiam a nossa direção para perceberem onde iríamos parar. Mal saímos do carro, a recepção foi calorosa e afetuosa, com abraços e carinhos de crianças que já estavam prontas para nos conhecerem. Os sorrisos tímidos dos seus rostos rapidamente se transformaram em sorrisos de felicidade genuína, quando perceberam que iríamos realizar atividades, brincadeiras e muitos jogos durante toda a semana.

Deparei-me a olhar para o final do caminho de terra e observei a rapidez e a alegria com que as crianças se vinham juntando a nós para realizarem a atividade quebra-gelo, a qual tinha por objetivo a promoção das relações interpessoais.

Depois, demos início à atividade “teia de aranha”, com recurso a um novelo de lã. Cada um tinha de se apresentar: nome, idade e uma coisa que gostassem muito. Entre respostas como “pipocas”, “doces” e “brincar”, surgiram também outras propostas como “estudar”, “aprender” e “ler”. E foi nesse preciso momento que, naturalmente, me deixei cativar pelas crianças da Roça Ponta do Sol.

Resolvemos juntar todos os que já sabiam ler e escrever, crianças entre os seus 7 e 13 anos, para realizarem uma atividade de estudo de língua estrangeira — Inglês. Junto com os voluntários locais, encontrámos um espaço que substituía uma sala de aula. Tinha à minha frente 22 crianças motivadas e avidamente ansiosas por aprenderem o Inglês. O tema era “o corpo humano” e, entre gestos e repetições de palavras, as crianças iam repetindo e assimilando facilmente as aprendizagens lecionadas.

Para finalizar a atividade de Inglês, foi ensinada uma música que abrangia o vocabulário relacionado com o corpo humano. Formando uma roda humana, que ocupava quase todo o tamanho do espaço, a diversão, a música e a alegria encontravam-se interligadas. E entre “head and shoulders” e “knees and toes”, o que parecia ser uma aula tornou-se numa brincadeira. É indiscritível a felicidade sentida nos rostos das crianças da roça Ponta do Sol!

Até agora, o momento mais marcante para mim foi, sem dúvida alguma, o que foi passado nesta roça. Após a atividade de Inglês e de música, sobrou algum tempo para mais brincadeiras com estas crianças incríveis. Houve até um voluntário local que me desafiou a subir umas velhas escadas que teriam pertencido ao que restou de uma casa vazia e abandonada. Não hesitei e lá fui eu, pé ante pé, mas não fui sozinha. Na verdade, contei sempre com o apoio destas maravilhosas crianças. E lá fui eu, com quatro meninas a darem-me a mão de cada lado, e rodeada de crianças que quiseram também acompanhar-me. Perguntei-lhes o que iria encontrar, ao que me respondem “É surpresa!” E realmente foi a melhor surpresa que me poderiam ter feito naquele momento! Quando cheguei ao topo, lá estava eu, naquele lindo dia de sol, com a melhor vista da ilha do Príncipe à minha frente e, com a companhia destas poderosas crianças, fez-se acontecer “magia” na Roça da Ponta do Sol.

Bárbara José

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Sonhamos e fazemos acontecer a educação e o desenvolvimento sustentável dos PALOP.

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