(Re)aprender a ser pessoa

Às vezes fico com a sensação de que quem prospera no chamado “Primeiro Mundo” se esqueceu de ser pessoa, ou faz de conta que não se lembra como se faz.

Mas aqui faz-se diferente — não se vive através da tecnologia, mas explora-se o que ela oferece com curiosidade; não se deixa para um sms o que pode ser confidenciado na humilde luxúria da presença na casa que não é de um, mas de todos por igual; não se confina um encontro casual aos limites das saudações cordiais, mas a uma refeição que enche uma mesa até aos rebordos e que só termina quando o cansaço nos vence a vontade de aguentar até às tantas.

Hoje o dia preenche-se de Clubes de Leitura na escola local, contendas quotidianas contra as usuais dificuldades pelo caminho, visitas esperadas e inesperadas na balbúrdia bem-disposta de uma sala dos sete ofícios e de e uma sessão de formação para adultos que nos dão um banho de humildade e de querer saber mais, melhor, mais alto.

Mas hoje, como todos os outros dias que já passaram e que aqui ainda temos por passar, é dia de sermos mais humanos.

Vim para o Príncipe a achar, numa espécie de egolatria controlada, que vinha contribuir para elevar uma pequena nação… e agora que aqui estou, percebo que, mais até do que isso, vim aqui (re)aprender o que significa ser pessoa, em todas as asserções, todas as infinidades.

E quando daqui partir, da ilha que se diz Verde, dos Sonhos e de Sempre, sairei muito mais pessoa do que aqui entrei.

Catarina