Não há nada de errado em ser feminista como querem te fazer acreditar.

Demoraram 20 anos da minha ainda breve vida pra que eu percebesse que o feminismo é parte integrante da minha vida e que eu também faço parte dele. Nunca dispensei muita atenção à notícias de manifestações ou qualquer acontecimento de cunho feminista, e me recordo que ao tocarem no assunto, a única associação que eu fazia ao movimento eram as RadFems.

Ao contrário do que ultimamente se prega por aí, não há absolutamente nada de errado em ser feminista. Em se ver feminista. Isso não significa inscrever-se num clube e se tornar sócia-militante. A militância é escolha de cada uma, e não precisa ser um aspecto atrelado à definição do termo.

Também não é objetivo do movimento a total e completa aniquilação dos homens. Lutamos para nós e por nós. Não há espaço para o homem nessa causa, e talvez seja por isso que ela incomode tanto.

Nós, mulheres, somos subjulgadas a milênios. Tratadas como propriedade, como um objeto com valor inferior a uma cabeça de gado em algumas ocasiões, como alguém que não possui nem o mínimo direito sobre o próprio corpo, e a lista continua, enorme. Somos rotuladas pelo modo de nos vestir, por nosso comportamento, estilo, escolha de profissão. Mal nascemos e já somos impostas a um padrão a ser seguido: a falsa valorização de nós mesmas (que na verdade nada mais é que valorizar o que o homem acha correto para nós), o dogma inquestionável da fragilidade, o único objetivo que devemos traçar em nossas vidas, que é o casamento, posteriormente a maternidade e ainda a imposição ‘profissional’ que é o cuidado do lar. O construto social pré-histórico (e infelizmente ainda tão atual) de que a mulher deve servir ao prazer do homem, e toda aquela que se opuser, que quiser servir a seu próprio prazer, deve ser rotulada de vagabunda, piranha, puta e assim por diante.

O feminismo quer derrubar todos esses construtos, esses dogmas, essa mentalidade coletiva que a mulher é um ser inferior a ser desfrutado ao bel-prazer masculino. Queremos paridade salarial, fim dos assédios sexuais e morais, queremos fim à cultura do estupro, queremos ser tratadas como iguais que somos aos homens. Que nossas vozes sejam ouvidas, que possamos escolher por nós mesmas o que queremos fazer e sem precisar sermos rotuladas ou justificadas, porque simplesmente são nossas vidas e ninguém deve ter voz ativa em nossas vidas além de nós mesmas.

Ao me perceber feminista, passei a prestar mais atenção em situações que são corriqueiras e regularmente deixadas de lado. Comecei a ter voz ativa sobre minha própria existência feminina, e a desconstrução continua acontecendo dia após dia, pois não é difícil de compreender que determinadas posturas anteriormente tomadas como banais, na realidade estavam cheias de machismo, seja implícito ou não. Passei também, a ter mais sororidade com todas nós, pois não é preciso conhecer a história de vida de uma mulher para sabermos que todas nós já passamos por alguma situação semelhante à dela. Torna-se impossível se calar diante de certas situações.

Se você visualizou-se em algum ponto do texto, saiba que você também é feminista. Ainda que não queira seguir vertente alguma, que não queira militar, que não queira se envolver. E nós iremos continuar lutando por todas, cada uma da sua maneira.

Like what you read? Give Arianne Martell a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.