Prólogo: Uma noite estrelada

Dasdhan olha para cima e avista a inebriante lua prateada fixando o seu olhar no céu magnificamente estrelado. Apesar do céu estar quase sem nenhuma nuvem, a noite estava estranhamente silenciosa, tipo de coisa que o deixava desconfortável. Ele olha para a fogueira a sua frente e mexe alguns pequenos galhos secos que estão queimando usando um longo graveto.

Ao redor da fogueira também se encontram seus companheiros, um monge habilidoso chamado Dante que meditava sentado, e um mago chamado Azaghin que estava avidamente estudando seu precioso grimório. O grupo descansa em uma pequena clareira, próxima a trilha de barro entre as florestas de Zakharov e Deheon, cansados por terem andados o dia inteiro.

- Então, tem certeza que vamos conseguir mais informações sobre esse anel em Zakharin? — Dasdhan pergunta a Azaghin com dúvida, enquanto continua a cutucar os galhos secos da fogueira com o graveto e se encontrava encolhido.

Uma brisa sopra levemente sobre eles, revelando a frieza moderada da noite, sendo duramente combatida pela fogueira que aquecia todos ali. As velhas árvores de carvalho que os rodeavam chacoalhavam levemente, devido a brisa noturna. As folhas farfalhavam suavemente, sendo quase considerada como um ruido solitário daquela noite, se não fosse pelo som emitido pelas chamas da fogueira.

- É a informação mais próxima que consegui para descobrir como devemos proceder com este anel. Além do mais, lá é o melhor lugar para comprarmos nossos equipamentos para esta longa jornada.

O mago responde sem nem olhar para Dasdhan, continuando sua importante leitura. Ele calmamente lambe a ponta de seu polegar e passa a página do livro avermelhado, ao passo que o Monge continuava imóvel se concentrando em sua meditação.

- Então o que você está fazendo?

- Como você pode ver, estou lendo meu grimorio, tentando achar alguma forma de melhorar os meus portais dimensionais.

- Mas…

- Pare de me incomodar! Se você está entediado, vá dormir!

O jovem Mago para de ler e passa a encarar Dasdhan, demonstrando claramente a sua irritação, e aperta seu livro com força, até que o ladino desvia o seu olhar com um semblante de aborrecimento, enquanto murmurava xingamentos quase inaudíveis direcionados ao mago. Os dois se calam, tendo o silencio novamente invadido a clareira, só não dominando totalmente o lugar por causa do crepitar da fogueira, que gentilmente recusava a se calar. Azaghim volta a direcionar a sua total atenção ao seu precioso grimório. Seu rosto demonstra calma, significando que ele finalmente voltou a seu estado de espirito de sempre. O seu capuz carmesim ocultava os seus olhos castanhos, ao mesmo tempo que protegia o rosto do frio da noite.

- Como vai indo à sua meditação?

Para a tristeza de Dante e de Azaghin, Dasdhan irrompe mais uma vez o silencio procurando iniciar uma conversa, dessa vez com Dante, porem em vão, já que o monge continua permanecendo em um silencio absoluto, assim ignorando totalmente a pergunta.

O ladino cruza seus braços em tom de protesto, mostrando estar chateado por ter sido duramente ignorado pelo seu aliado silencioso. “Isso é injusto, ninguém quer conversar comigo.” Murmura em tom baixo o jovem ladino.

Dasdhan passa algum tempo na frente da fogueira pensando no que fazer, mas rapidamente desiste e pega o seu saco de dormir. Já o mago continua a sua leitura, despreocupado com a sua hora de dormir e cada vez mais interessado no conhecimento contido em seu grimório, ao mesmo tempo que o Monge meditava incessantemente em frente a fogueira que o aquecia.

- Me responde mais uma vez porque não estamos descansando na sua dimensão pessoal, já que ele claramente é o mais seguro para ficar?

O silencio é quebrado mais uma vez, dessa vez por Dante, que continua na mesma pose de meditação, não se limitando nem a abrir os olhos.

- Porque manter vocês dois na minha dimensão pessoal acabaria a minha energia. Então mesmo que todos nós dormíssemos lá tendo noite de sono tranquila, ainda assim eu acordaria cansado e esgotado. — Azaghin responde interrompendo a sua leitura e olhando para o Monge, que não demonstra nenhuma expressão em sua face. Os dois se calam outra vez, tendo encerrado assim a conversação. O mago então volta a se concentrar em seu livro, procurando no texto onde ele tinha parado de ler.

Mais tarde quando Azaghin termina de ler, ele volta a sua atenção ao seu redor e percebe que seus companheiros já estavam deitados dormindo confortáveis. Dasdhan dormia próximo a fogueira numa distância segura, enquanto que o Monge estava dormindo um pouco mais distante, perto de uma velha macieira. O mago olha para cima e nota que a lua está no pico, fato que demonstrava o quão tarde da noite era. Seus olhos pesam, e ele passa a ser atormentado pelo insistente sono. Ele guarda seu livro na sua bolsa que estava junto, pega o saco de dormir e decide descansar, afinal todos iriam se levantar cedo no dia seguinte para seguir viagem.

Com tudo arrumado ele se deita, entretanto, antes de dormir, ele levanta o seu braço direito e o estende, esticando os dedos de sua mão para ter certeza que estava com o anel. O anel continuava lá, transmutada em uma dura carapaça rúnica que estava acoplado em seu braço.

Logo no início da manhã, o monge é o primeiro a acordar, se levantando com uma rápida manobra acrobática. Ele olha para o céu e percebe que o sol não havia nem aparecido totalmente, se escondendo atrás do horizonte, como um gigante tentando se ocultar atrás de uma pequena arvore. Dante lentamente se espreguiça, ainda um pouco sonolento, graças à boa noite de descanso que teve. Ele caminha em direção a fogueira, que apesar de estar apagada ainda saia uma leve fumaça, e joga terra em cima dela, apagando-a completamente e eliminando quase que totalmente pistas de que algum grupo descansara ali.

Azaghin é o próximo a acordar, se erguendo lentamente de seu saco de dormir. Ele o enrola e guarda junto a sua bolsa, organizando suas coisas e se preparando para a viagem. O mago então pega o seu cantil vazio e se aproxima de um rio próximo para enche-lo. Dasdhan é o último a se levantar, espreguiçando-se ainda sentado. Ele abre o seu cantil e o eleva a boca, porem após alguns pequenos pingos deslizar para fora, o ladino frustrado percebe que o cantil estava vazio. Dasdhan então se levanta exclamando resmungos e parte para o mesmo riacho onde Azaghin enchera seu cantil.

O sol lentamente sobe o horizonte, trazendo consigo uma calorosa luz que irradia toda a floresta. Era possivel ouvir-se o suave canto dos pássaros, mostrando a imediata tranquilidade do local, juntamente com as poucas folhas que caiam ali.

O orvalho contido nas folhas lentamente desce para o solo, agora úmido, ao passo que todos os três integrantes do grupo degustam a sua primeira refeição do dia em silencio. Após terminarem suas refeições e respectivos afazeres, os três arrumam os seus pertences e seguem viagem, rumo a Zakharin.

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