Aquela de vestido branco

A foto Adèle Exarchopoulos é meramente ilustrativa e inspiracional.

Noite de réveillon e eu estava em uma festa com alguns casais de amigos, a gente tinha acabado de estourar a champanhe e se abraçar para desejar felicidades no ano que estava começando. Terminado o protocolo, eu, macho-alfa solteiro que sou, fui à caça. Sem muita expectativa, é claro, pois ainda me culpo por ter dispensado a menina mais linda com quem já estive, e desde então me satisfaço com qualquer pedaço de carne.

Foi nessa hora que ela apareceu. Se eu estivesse sóbrio, não me julgaria merecedor de algo daquela magnitude. De vestido branco, comprido, até os pés, e mostrando as costas até um nível pouco abaixo do permitido pela moral e os bons costumes. Ainda assim, elegante como se estivesse a receber um Oscar. Aquilo era demais pra mim, mas ela me olhou com aquele olhar que te convida para uma conversa casual e despretenciosa que, você sabe meu amigo, vai terminar na cama.

O álcool deu o empurrão que faltava, e fui lá puxar papo. A conversa fluiu, o sentimento aflorou, as mãos dançaram pelos corpos até que os lábios se tocassem. Nada disso deveria ser novidade para um cara de 27 anos, mas parecia que era a primeira vez, nenhuma experiência anterior tinha valor diante daquela menina. Eu fechava os olhos e minhas mãos liam seu corpo como um cego lê braille. Contava os minutos para ver sua roupa espalhada pelo meu quarto. Eu perguntava seu nome, ela desconversava, e se eu pedia seu telefone, ela fingia que não me ouvia. Concluí que ela devia ter namorado, ou marido, sei lá, alguém que não gostaria de flagrar nós dois naquela situação. E a gente se despediu com a única certeza de que nunca mais nos veríamos.

Hoje ela estava na feirinha. Fingiu que não me viu, e eu fingi que não fiquei feliz em vê-la.

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