órbita
Quando a cabeça viaja, atravessa os vários limites das cidades pra encontrar com a tua, nada a impede de se chocar com teu coração por mais de 90km, só pra cruzar teu olhar e me estremecer inteira. Perdoa minha Lua em Câncer e meu Sol que se encontra em ti enquanto eu me apaixono.
E penso que, se tu me fosse um planeta, seria meu Marte. Tanta guerra desnecessária se transformaria na batalha sangrenta que é me deixar pensar em ti. Tu seria meu Marte em Aries, talvez meu ascendente em Touro, das tardes preguiçosas e sempre faminto por alguma coisa mais. Minhas casas em Sagitário que querem sempre algo que está bem longe daqui, se encontram com as tuas, fixadas em Peixes e dando a entender que nos céus nós não somos e nem deveríamos ser.
Se tu te prendes nos por menores mundanos, não espera que eu me acomode aqui, porque sabes bem que eu sou inquieta demais para me confortar em qualquer canto. Se meu coração já viaja sozinho há tanto tempo em busca daquilo que minha cabeça clama não ser o ideal pra ninguém, não te assustes se eu aparentar um tanto lunática, esse é meu hobby favorito. Se teu coração já está tão distante de mim, se teu coração já atravessou as fronteiras de tantos estados desse lugar canalha, em busca daquilo que o afaga, desesperado, não deixe meus olhos cruzarem os teus amargos.
Se já predestinados a nos machucar, nascemos e existimos aqui nesse Mercúrio retrogrado que prometeu destruir e trazer de volta tudo aquilo que ficou inacabado, então acho que acaba aqui, por fim. E quando a Lua deixa Câncer, posso ser feliz de novo. E quando o Sol entrar em Virgem, não poderás mais me achar, porque fugi.
E teu Sol desgraçado me deu um bote de novo, deixando envenenado transformando sentimentos em algum tipo de receio e vingança, é porque já sabes, Escorpião nasceu pra envenenar.
