Achei ofensivo

Venho aqui, depois de algum tempo de negligência com minha escrita, para compartilhar com vocês, meus caros, uma experiência deveras desconfortável que vivenciei na noite do dia 08. Foi, na verdade, uma sensação estranha o desagrado que tal fato causou-me, pois, na realidade, eu não fui alvo de nenhuma injúria verbal ou física. Mesmo assim senti-me, de alguma forma, tão ofendido quanto o grupo que foi — inconscientemente, acredito — “alvejado”.

Vamos então ao fatídico ocorrido: Estava eu no ônibus que me leva da faculdade para casa, aguardando sua partida, quando entraram alguns indivíduos inconvenientemente barulhentos no veículo. Estavam rindo de algo que um deles havia feito e eu podia ouvir tamanha balbúrdia indecente mesmo com fones de ouvido. Como sou um pouco chato em relação a ouvir música, tirei os fones e esperei que o ambiente ficasse suficientemente silencioso. Foi então, enquanto esses homens encontravam seus lugares, que um dos “funcionários” da empresa de transporte perguntou ao grupo se um outro homem havia vindo e se havia trazido algo (perdoem-me, mas não me lembro dos detalhes). Foi quando um deles respondeu que havia pegado a determinada coisa para o seu amigo — ele não esperava a reação que seguiu-se. Imediatamente, um terceiro comentou, quase histérico: “Ih! Já tá pegando nas coisas do outro”. A partir daí foi uma sucessão de: “Eu não sou dessas coisas, quem faz isso é tu”.

Logo, pensei comigo: Qual foi a necessidade de tal ato? Seria a intenção daquilo ser uma piada? Pois, se o foi, devo dizer que não teve nenhum resquício de qualquer tipo de graça — mesmo que do mais baixo nível. De fato, seu efeito foi totalmente contrário: Gerou uma tensão e algo que eu diria beirar ao medo na grande maioria daqueles que faziam parte da comunicação. Não foi divertido, foi quase como rogar uma praga mortal. Na realidade, foi dessa maneira que a tão indesejada “alcunha” foi tratada: Como um tumor que, se não fosse rebatido para outra pessoa, haveria de se tornar um câncer, uma chaga que jamais seria expurgada do corpo. Um pensamento medieval, diria, pois aqui não exagero em nenhum aspecto do relato, apenas transcrevo o que percebi e vi nas reações e nos rostos aflitos daqueles “inabaláveis” homens. Eles transferiam a culpa de tal crime hediondo de ser um para o outro entre risadas nervosas, como que — arrisco-me a afirmar — suprimindo a vontade de admitir algo.

O que impressionou-me ainda mais foi a velocidade com a qual a fala que iniciou toda aquela situação desconfortável foi disparada. É como se houvesse uma constante tensão e uma necessidade incessante de autoafirmação. Sinceramente, tal atitude é digna da mais profunda e sincera pena.

A denominação de tão infundado preconceito não poderia ser mais precisa do que “fobia”. O assunto é tratado com tamanho drama e, talvez, até mesmo, misticismo, que só pode caracterizar-se como um temor irracional de algo que não representa ameaça a nada além do bem mais frágil dos homens: sua tão relativa masculinidade.

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