Foca no NaNoWriMo, mas calma

Lady Sybylla
Nov 16, 2018 · 4 min read

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Chegou novembro e a galera da escrita já está surtando com o NaNoWriMo (National Novel Writing Month) em apenas 10 dias. Pra quem não sabe bem do que se trata, você se desafia a escrever um romance de 50 mil palavras num mês. No caso, o mês de novembro.

O que acontece é que o mês pode ser bem opressivo, especialmente se você acaba tendo um apagão criativo no meio dele. Assim como pode ser um incentivo a mais pra quem tá parado na escrita, pode ser bem complicado pra outras pessoas. Não quero fazer desse texto uma cartilha com dicas sobre como escrever as 50 mil palavras, quero principalmente dizer é que você não deve se culpar se não conseguir ou se não gostar do que escreveu.

Uma das dicas de escrita que eu menos gosto é a de escrever todo dia. Eu realmente escrevo todo dia, pois tenho blog, tenho emails pra responder e dores existenciais pra expôr no Twitter, mas ficção realmente não dá. Ontem, por exemplo, escrevi 6 mil palavras, mas é provável que eu fique dois dias sem escrever nada do novo livro (projeto bem recente, que nada tem a ver com o NaNo, mas calhou de ser em novembro).

Desde que comecei a escrever ainda na adolescência, nunca me preocupei com números de páginas ou de palavras. Eu sentava e de repente saía um arquivo de 300 páginas. Quando fui ghost writer de um c e r t o escritor, tive 34 dias pra parir um livro e saiu. Se as ideias vêm, eu sento e faço. Mas a fonte seca também.

Quando comecei a ver que o mundo da escrita era muito maior que aquele da minha cabeça, fui ver que contos, novelas e romances têm tamanho. Aí comecei a adaptar o que escrevia pra caber nos tamanhos exigidos por revistas e antologias. Tô quebrando a cabeça pra diminuir um conto pra caber numa coletânea, já reduzi 1500 palavras e ainda faltam 500. Acontece.

Ernest Hemingway dizia que o rascunho de qualquer coisa é sempre uma merda. Praqueles que começaram no NaNoWriMo, entenda que a pressão pode te levar a escrever, mas não quer dizer que vai ficar bom. Ainda assim, não se desespere. Não jogue um mês inteiro de trabalho fora por isso. Nos períodos em que estamos na pior, você pode ficar tentado a jogar tudo no lixo. Não faça isso. Não serviu agora? Algumas ideias podem ficar pra um próximo projeto. Pense nele como um palimpsesto, em que você raspa a escrita de cima pra escrever de novo.

Uma dica que vi recentemente foi a de escrever num caderninho as ideias legais que você vê em livros. Vou além, anote as ideias legais de filmes, de séries de TV, de games e quadrinhos. Algo pode te ajudar a desempacar aquela cena que ficou ruim na maratona de escrita.

Entenda que anotar a ideia não é plágio. Ideias, já dizia Elizabeth Gilbert, são imateriais e assim como a escrita surgiu em vários lugares do mundo quase que ao mesmo tempo, a mesma ideia pode sim atingir a várias pessoas. Não sabemos bem como a criatividade funciona. Ela vem de todos os lugares, pela influência do que você vive, ouve, sente e pensa, consome, ama e odeia, então tente ser autêntico. Se seu trabalho for autêntico o suficiente, acredite, ele será original (tirei da Elizabeth também, hue).

Não se prenda ao contator do NaNo, apenas faça. E se estiver de frente pra tela, em pânico, sem saber como continuar, largue a tela. Largue todas, nada de ir pro celular. Vá cozinhar. Vá ver sua série favorita (não importa se você já viu 500 vezes). Chama uma amiga e vai comer um lanche, vai andar de bicicleta, vai limpar a geladeira, faça qualquer coisa que não seja relacionada com a escrita.

Muitas pessoas se espantam com o volume de postagens no blog, com o quanto eu escrevo e perguntam qual é o segredo. Sério, eu não tenho um. As ideias vão fluindo de tal maneira, seja escrevendo ficção ou seja escrevendo no blog, que eu simplesmente faço. Se você estiver com dificuldades para escrever, uma dica é pegar alguns dos autores favoritos seus e observar o ritmo das frases. Copie algumas delas e depois reformule com suas palavras, suas ideias. Esse exercício ajuda a entender o que funciona nos trabalhos daqueles autores que você curte e pode te ajudar a entender o seu ritmo. Essa dica eu peguei na Louise Brooks, atriz do cinema mudo, que também empacou na biografia dela e foi assim que ela conseguiu escrever.

Acho que o que importa é você não forçar. Não se force a caber num modelo que pode não funcionar. O NaNo não funciona pra mim, mas vi pessoas escrevendo livros publicados por editoras desta forma. Viu que não funciona pra você? Esqueça o contador, vai fazendo, vai escrevendo. Você vai ver que uma hora sai.

Lady Sybylla

Written by

Fã do futuro e da ficção científica. Capitã da Frota Estelar. Escreveu Deixe as estrelas falarem, pela editora Dame Blanche.