TEDxOporto 2016: ‘Enigma’

ENIGMA é o desconhecido, o misterioso, o encoberto. É uma constante das nossas vidas, que ora contornamos, ora enfrentamos, ora ignorando, ora aprendendo. Este desconhecido suscita em nós diversos sentimentos tal como a curiosidade, receio, fascínio e admiração por aquilo que parece ser maior do que nós próprios!

Apesar de continuar a haver muito por descobrir, conhecer e aprender, detemos uma riqueza de conhecimento sem paralelo na história.

A compreensão, ainda que básica, do mundo que nos rodeia e dos seus mecanismos é fundamental para o desenvolvimento da sociedade e para vivermos todo o nosso potencial.

A sobrevivência dos nossos mais antigos antepassados dependia quase totalmente da aprendizagem empírica sobre o mundo e da aplicação desse conhecimento. Atualmente, temos a perceção de possuirmos bastante mais conhecimento do que os nossos antepassados, mas ainda assim as nossas vidas parecem-nos mais complexas. Será que sabemos mesmo mais do que os nossos antepassados? Ou será que individualmente o conhecimento está cada vez mais fragmentado, resultado da especialização e da enorme complexidade do conhecimento até agora acumulado?

Alguns fenómenos são-nos ainda totalmente misteriosos, aparentemente vedados; outros são conhecidos parcialmente e há imensa atividade de investigação. Outros ainda são muitíssimo bem conhecidos por parte de cientistas, mas ainda misteriosos para o grande público.

Existe, entre nós, uma enorme diversidade nas nossas atitudes face ao misterioso. Algumas pessoas procuram conhecer, descobrir e ir ao fundo das questões. Conseguem-no através da especialização, mas possivelmente à custa de uma visão mais abrangente e abordagem generalista.

No outro extremo, outras pessoas preferem manter-se totalmente à margem dos que é desconhecido e misterioso, recorrendo a abordagens simplistas e a ilusões. Não faltam razões possíveis para esta atitude — medo, desconforto causado pela incerteza, complexidade e dificuldade dos temas.

Num meio termo, muitas pessoas, apesar de não estarem diretamente envolvidas no desvendar dos enigmas, estão abertas à compreensão e ao avanço do conhecimento. Movidas pela curiosidade e pelo fascínio pelo mundo, mas ainda assim recetoras passivas deste conhecimento, não são especializadas em nenhuma área do conhecimento e como tal têm vontade e capacidade muito limitadas para compreender qualquer tema de forma aprofundada.

O domínio do conhecimento parece ter deixado de ter um impacto imediato na nossa sobrevivência. E claramente nenhuma destas atitudes parece ser a ideal da perspetiva da maximização do conhecimento.

Fora do mundo frio das ciências fundamentais existem muitos outros enigmas que ainda retêm a centelha do impacto imediato nas nossas vidas. Trata-se dos enigmas no campo do comportamento humano, da sociedade, economia, e artes entre outras ciências sociais.

Criar, comunicar, influenciar, discutir e convencer — entre muitas outras atividades de relação humana — têm importância crescente nas nossas vidas em sociedade e mantêm-se ainda assim como grandes enigmas para a maioria de nós.

Como poderemos tomar boas decisões se desconhecermos os nossos mecanismos de intenção e de motivação e dos nossos interlocutores? Se não compreendermos os sentimentos e comportamentos humanos? Se não conseguirmos adotar a perspetiva do outro? Se não conseguirmos prever os resultados das nossas decisões, como podemos verdadeiramente saber que estamos a tomar as decisões certas?

Viver implica enfrentar diariamente este desconhecido. Implica iluminar as trevas da nossa ignorância. Temos de saber fazer as perguntas certas e conseguir respostas satisfatórias. Viver… é abraçar o misterioso e aceitar que nem sempre teremos respostas para tudo — mas também continuar a admirar a beleza do mundo mesmo depois de termos alcançado respostas satisfatórias às nossas questões.

Apesar dos enormes avanços da ciência e tecnologia continua a haver muito por descobrir, aprender e conhecer.

Nesta sétima edição do TEDxOporto vamos viajar pelo desconhecido, pela procura de respostas, pela descoberta e pela criação do conhecimento. Vamos mais longe, até à última fronteira, e voltaremos a nós mesmos, agora com novas perspetivas.