Uma análise do jovem na política: posts vs ação

Fonte da análise: membro ligado a The Journalists Network

Manifestações e atos públicos recebem cada vez mais participantes menores de idade. A inserção política oferecida através do contínuo uso de redes sociais, que já se sacramentaram como portal de comunicação e engajamento, tem colocado em debate a conscientização real dos jovens. Essa atuação visível e marcante para todas as preferências políticas deveria ter reflexo nas eleições. Entretanto, o eleitorado jovem não tem crescido na mesma proporção que os posts.

O voto é facultativo, como se sabe, para jovens de 16 e 17 anos desde a promulgação da Constituição de 1988, década em que movimentos estudantis reivindicaram direito a também decidir os rumos do país. Os dados do TSE, por sua vez, demonstram que o eleitorado mais jovem ainda não se apresenta muito relevante. As estatísticas de 1988 a 2015 apresentam números entre 300.000 e 1.500.000 para os de 16 anos e entre 1.000.000 e 2.000.000 para os de 17 anos, o que pode parecer muito, mas não tem se mantido crescente, com, na verdade, oscilações durante o tempo.

Longe de uma exposição deveras pessimista, entretanto, a campanha Semana do Jovem Eleitor mostra-se como um esforço do governo em chamar a atenção do jovem, que parece disperso, para as questões que logo eles terão de se envolver profundamente. A escolha de seus governantes tem efeito direto no tipo de vivência social que o cidadão terá. Mas, o que ainda parece existir na mente de parte dos adolescentes é que “política é uma coisa chata”. Então, um posicionamento dos educadores e, principalmente, o incentivo familiar devem ser fundamentais para a formação do indivíduo. Contudo, com uma democracia recente, ainda é difícil sedimentar os pilares de que se gostaria para construir uma cidadania consciente e assertiva e, talvez, por isso, a falta de interesse de muitas instituições de ensino, que esquecem-se da educação como geradora de pensadores e tratam-na como negócio.

De qualquer forma, o que se deve ter em mente é que o país precisa de mais atitude. É inegável o poder do discurso do jovem nas redes sociais: eles estão de fato defendendo seus ideais e não é certo negligenciar isso tampouco duvidar da maturidade de seus raciocínios. Ainda assim, é necessário perceber que os dados do TSE, por exemplo, são, sim, um índice que põe em cheque tal maturidade. A linha de pensamento que é mais adequada adotar é a de que o brasileiro ainda está muito acomodado a ser ‘cordial’, isto é, posiciona-se, mas evita o confronto direto. Se reforçar a democracia é o necessário, que o engajamento ultrapasse a barreira teórica e mostre-se nas urnas, em grupos voluntários com propostas inovadoras, em comunidades que vencem o conformismo e batalham por qualidade de vida melhor, almejando um dia universalizar efetivamente os direitos constitucionais.

Por fim, faz-se aqui um chamado: jovens do mundo, uni-vos por seus ideais. Sejam eles quais forem, que desejem um mundo melhor e que sejam uma realidade.

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