A relação entre o trabalhador e a produtividade
As melhorias nas condições de trabalho e o aumento de produtividade
No final do século XVIII, na Inglaterra, com o surgimento de maquinas como o tear mecânico e o tear hidráulico, ocorreu a primeira revolução industrial. Muitos pensadores da época acreditavam que as maquinas tomariam o lugar dos humanos, porém esses ainda são essenciais no processo de produção das organizações.
Como prova disso, mesmo com a inserção das máquinas no ambiente de trabalho, ainda existia um grande recrutamento de homens. Esse recrutamento era feito sem nenhum tipo de seleção, quem estivesse disponível na hora era escolhido para o trabalho, não importando idade, sexo ou capacidade.
Esse recrutamento desordenado e sem critérios logo foi visto como algo que reduzia a produtividade da organização e então, no século XIX, Frederick W. Taylor propôs que fosse feito uma seleção no recrutamento, escolhendo apenas os candidatos que fossem aptos a realizar o devido trabalho.
Para ilustrar essa seleção usaremos um exemplo: em um certo trabalho é necessário descarregar um caminhão com caixas de café e transportá-las para um galpão. Antes de Taylor seriam recrutados todos os tipos de pessoa, desde crianças até idosos para realizar o trabalho. Já com um recrutamento mais seletivo, de acordo com Taylor, seriam selecionados apenas homens fortes.
No primeiro caso o trabalho será realizado em mais tempo, visto que as crianças, mulheres e idosos possuem menos força para carregar as caixas. No segundo caso os homens fortes darão conta de carregar todas as caixas em um tempo muito menor, portanto apresentando um aumento de produtividade.

Com a adoção dessa proposta muitas pessoas ficariam sem empregos, como crianças e mulheres. Taylor dizia que crianças não conseguiam ser produtivas e por isso deviam passar a infância na escola. Já as mulheres deveriam executar algum tipo de trabalho que fosse mais apropriado, como garçonete, dona de casa, ou trabalhos que precisassem de mais delicadeza.
Mesmo mostrando preocupação com as crianças, Taylor não se importava muito com as condições de trabalho dos homens nas fábricas. As jornadas eram muito longas e a remuneração era baixa, o que logo levou à uma série de greves que buscavam por melhores condições. Essas greves prejudicavam a produtividade e Taylor não conseguia achar um meio de erradicar o problema.
Graças a Henry Ford, foi encontrada uma solução. Ele percebeu que se a jornada de trabalho fosse menor e o salário maior, o trabalhador não entraria em greve e trabalharia melhor, visto que ele estaria satisfeito com as condições oferecidas. Assim, com pequenas mudanças visadas ao homem o foco das organizações gradualmente deixou de ser a estrutura e começou a ser no trabalhador. A qualidade de vida no trabalho se tornou um tema de discussão e outras escolas da administração propuseram outros meios de abordagem.
Essa mudança pode ser percebida na substituição do termo Homo economicus (homem como um ser que cumpre seus afazeres apenas pelo incentivo monetário, premiações e outros) pelo termo Homo socialis (homem que não era simples e mecânico, indivíduo guiado pelo sistema social e pelas demandas de ordem biológica e que possuía necessidades de segurança, afeto, aprovação social, prestígio e autorrealização). Este segundo termo foi proposto pelo cientista social Elton Mayo, considerado pai da escola de relações humanas da administração.
Atualmente o homem é o centro da organização. No último século foram feitas diversas leis que defendem os direitos dos trabalhadores, as empresas estão buscando cada vez mais tornar o ambiente de trabalho um local agradável e que dê prazer ao funcionário. Além dessas mudanças, percebe-se uma demanda maior por pessoas que possuem a habilidade de liderar. Hoje não basta saber tudo sobre tal mercado se você não sabe conduzir seus subordinados a trabalharem como uma equipe para solucionar os problemas encontrados.
Podemos encontrar esses ajustes em grandes empresas como o Google. Eleita a melhor empresa do ano segundo o Guia Você S/A, conquistou também o título de melhor empresa para se trabalhar no Brasil. A organização investe em criatividade e inovação, e possuem diversos espaços de lazer que são dedicados ao ócio criativo. Além disso, disponibilizam para cada funcionário um fundo de 16 mil reais que deve ser usado para fazer cursos de pós-graduação ou extensão. Se não bastasse o citado acima, os benefícios de todos os funcionários são iguais, do presidente até o funcionário que se encontra no patamar mais baixo da empresa.

Esses grandes investimentos no funcionário são frutos de anos de estudo e pesquisa, acertos e erros, de muitos modelos de gerenciamento de organizações. Para a empresa se destacar ela deve possuir um pouco de cada escola da administração, carregar com si um pouco de Taylor, Fayol, Ford, Mayo e muitos outros, sabendo como encaixar as partes positivas de cada um, e aprender com os respectivos erros e defeitos de cada escola.
Para finalizar, desejamos deixar ao leitor uma reflexão: o que você sugere para melhorar a qualidade de vida no seu emprego? Você está satisfeito com suas atuais condições de trabalho? Comente aqui e deixe-nos saber o que você pensa!
“ O prazer aperfeiçoa a atividade. ” Aristóteles
Autoria: Fabrício Bravo