O segredo do sucesso (se é que existe!)

por Adriana Ricci

Fonte da Imagem: http://bit.ly/1rxUqUq

Um cargo relevante, muito dinheiro, influenciar pessoas, passar a vida viajando, fazer aquilo que você ama e ganhar dinheiro com isso, ter tempo para estar ao lado das pessoas queridas, criar um negócio a partir de uma ideia que ninguém teve antes. Fartas são as fontes que falam de sucesso com estes símbolos mencionados. Todas têm algo em comum: pretendem ensiná-lo a alcançar o tal “sucesso”. Já aviso: esta não é nossa proposta. Vamos além…

Objeto de desejo de meio mundo ou mais (tem gente que ainda não pode se dar ao luxo de pensar nisso), pote de ouro no fim do arco-íris para muitos, motivador corriqueiro nesse nosso mundão, destino de oferendas e sacrifícios de uma vida toda, estamos falando de um Sucesso. Do latim successus, quer dizer avanço, seguimento, resultado propício.

Vem de succedere, onde -cedere quer dizer “ir, mover-se, deslocar-se”. (1) Percebe-se então que sucesso é estar em movimento, algo em direção ao qual me movo. Em nossa cultura, acrescente algo pelo qual me movo com esforço e dedicação, fé, pensamento positivo, crença na abundância e mais uma lista de atributos que você pode escolher a depender de sua filosofia de vida. Temos em nossa cultura um conceito meritocrático (e questionável) de sucesso — o sucesso alheio desce mais redondo quando precedido por uma história de sacrifício e dedicação. O meu sucesso é mais tranquilamente explicado aos outros por minha dedicação e esforço. Há um quê de admiração pelo sacrifício. Há uma crítica ferrenha a quem aparentemente “nasceu com a bunda virada para a lua” e acessou esses símbolos de sucesso sem se identificar com a canção dos Beatles “…and I’ve been working like a dog” (2).

Parando para pensar, é simples: se ele se dedicou e alcançou o sucesso, posso acreditar que se me dedicar também alcançarei. Democrático, não?

Não. Errou. Errou porque democrático seria termos tantos ‘símbolos’ de sucesso quanto pessoas no mundo. Ao contrário disso, temos milhares de pessoas correndo atrás de um único referencial de sucesso. Logo, tornar o sucesso democrático está mais nas suas mãos do que você pode imaginar.

Quando dizemos que alcançamos o êxito em algo que nos propomos a fazer, nos aproximamos de um sucesso. Êxito é achar a saída de um problema, dificuldade ou necessidade. Vem do latim: exitus, que quer dizer sair ou saída.(3) Querido leitor — vou te contar agora o segredo do sucesso.

O segredo do sucesso é saber ser sozinho e saber ser ridículo, temporariamente.

Explico. Quem tem necessidade de alcançar o sucesso (aquele lá do início), encontra uma saída quando finalmente o alcança. Há quem sinta um vazio mortificante neste momento, pois a busca acabou.

Esvaziado o sentido de sucesso que acompanhou a pessoa por muito tempo, já que ela o encontrou, faz-se necessário fazer (e não encontrar pairando por aí, como fica a sensação quando geralmente leio a respeito de propósito e vida com sentido) outro sentido para perseguir e tocar a vida. Se podemos comparar ou substituir êxito por sucesso, devemos lembrar que “morrer é também alcançar êxito, visto que é sair deste mundo” — este é o mais democrático dos sucessos.

Saber ser sozinho porque quando você obtém êxito, você sai. Sai do senso comum, se diferencia, deixa de ser igual, se destaca. O famoso pensar fora da caixa não é para qualquer um. É só para quem não está super apegado à caixa. É para quem imagina que outras caixas são possíveis. Tem quem ame a caixa e faz de tudo para ficar ali no conforto da caixinha. Tudo bem.

Saber ser ridículo porque, quando você sai (do senso comum, do mesmo jeito de fazer) pode ser (e a probabilidade é alta) que as pessoas não entendam lá muito o que você está querendo dizer ou fazer. Você vai ser chamado de louco (e pode ser que esteja ficando mesmo — consulte um médico de confiança, por via das dúvidas :-D — por falar em dúvidas, te garanto que você estará cheio delas). Pode ser que dê certo. Pode ser que não. É arriscado. E tudo bem.

No final, quando algum feito é bem sucedido, ele é compartilhado. Pode ganhar aplausos, pode ganhar silêncio, pode ganhar recriminação. Mas em todos estes casos, pedimos lá um ok dos outros para nos certificarmos se é sucesso ou não é. Pedimos uma validação dos outros para aquilo que foi feito. Pois é. A gente é assim — buscamos reconhecimento de outros por algo que fazemos. Difícil de imaginar? Pense no que você posta nas redes sociais e no porque de existir o botão “Like”. Vamos de música: “é impossível ser feliz sozinho”! (4) Isso nos custa um bocado de tempo e energia.

Mas vamos lá: você pode incluir os outros na sua história de duas formas aqui. Uma é correndo atrás daquilo que dizem por aí que é sucesso, sem se dar ao trabalho de questionar se você concorda ou não com isso. Para quem está confortável assim, pouco tenho a oferecer.

Outra é se arriscando a apresentar para os outros aquilo que você pode chamar de um sucesso (dentre vários possíveis) para você. Testar um ingrediente novo na receita da família para a ceia de Natal (muito arriscado!), mudar a forma de fazer um processo na empresa em que você trabalha, errar a mão na cola e ver surgir o Post-it, ser reconhecido por pintar relógios como ninguém mais pensou em representar (estou me referindo ao dono da ilustração do texto, Dali), inventar um novo estilo musical, inventar um aparelho que as pessoas comandam com as pontas dos dedos, inventar um lugar em que as pessoas possam compartilhar seus instantes, inventar um sentido de sucesso para você e se sentir mais vivo do que nunca.

Para você que não está confortável com a primeira forma que mencionei ou que “curtiu” a segunda forma que mencionei, tenho algo a oferecer e espero que este texto já tenha sido uma boa provocação. Um brinde à sua disposição para ser ridículo e para ser sozinho — para não ser igual, enfim, para ser você!

Se identificou? Clique aqui para saber como a TRID pode te ajudar.

Adriana Ricci é sócia-fundadora da TRID- Trabalho e Identidade. Psicanalista e Mestranda em Psicologia Social pela USP. Psicóloga com aperfeiçoamento em Orientação Profissional e de Carreira pela USP e Coach pela SBC. Possui sólida experiência em Recursos Humanos, sempre ligada aos processos de vanguarda em desenvolvimento e gestão de pessoas de grandes empresas multinacionais, além de atendimento particular em orientação profissional e de carreira e psicanálise.

Referências neste texto:

1. http://origemdapalavra.com.br/site/pergunta/origem-da-palavra-sucesso/

2. Letra completa em: http://www.thebeatles.com/song/hard-days-night

3. http://www.dicionarioetimologico.com.br/busca/?q=exito

4. Wave, música de Tom Jobim: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/musica/cancoes/wave