Por que você deveria rever a forma de pensar sua carreira?
Por Camila M Fabre

Ele não é confiável…
… é invejoso;
… quer o seu cargo;
… fala mal de você para o chefe;
… só quer o seu dinheiro;
… puxa-saco só para ser promovido;
… cuidado, vai te passar a perna!
Com tantos alertas, confiar no outro parece ser impossível e, conviver, uma árdua tarefa. Diante de outros tão ameaçadores, proteger-se, calar-se, conter-se e procurar se destacar sozinho são estratégias frequentemente adotadas para a sobrevivência, principalmente, no contexto do trabalho.
Neste cenário, parece melhor se apresentar forte diante do outro, livre de problemas (quando os tiver, resolva sozinho): fale, somente, o necessário; não expresse inseguranças, nem dúvidas; nunca diga — “não sei” (se precisar, finja que sabe) e; ao celebrar, o faça com discrição (para evitar a inveja).
Tamanha contenção resulta no fato de que aqueles com quem você “com-vive”, se apresentam com muito pouco de si (provavelmente, da mesma forma que você a eles). As relações acabam se dando entre pessoas fantásticas, que aparentam ser sempre seguras, estáveis e muito felizes. Mas afinal, quem são elas além das suas defesas? E quem é você?
Será que você é o único que se vê obrigado a suportar um emprego sem sentido? Que se angustia por não saber como se livrar dele? Que não tem ideia de qual trabalho te faria feliz? Que gostaria de jogar tudo para o alto, mas não faz porque tem aluguel, mensalidade da escola e plano de saúde para pagar? Será que as suas dores são mesmo tão diferentes das dores dos outros?
Viver contido é uma forma de viver dentro de si, de se proteger, mas também, de se isolar. E a solidão amargura tanta gente, não é? Será que optar por ir na contramão dos protocolos poderia, surpreendentemente, te trazer algum benefício?
Apostamos que sim! A Orientação Profissional e de Carreira que realizamos no formato coletivo, ao contrário do que muitos pensam, oferece inúmeros benefícios:
1. Empatia: ao socializar os conflitos individuais é possível romper com o isolamento. Apesar da diversidade no grupo, sempre há denominadores comuns, o que oferece um sentimento geral de empatia e acolhimento, contribuindo para encorajar os seus membros e fortalecer a construção do projeto profissional de cada um.
2. Estimula a cooperação: compartilhar, refletir, criar e construir dentro de um grupo gera a oportunidade de aprender com a experiência dos outros, de ser ajudado por pessoas que estão passando ou já passaram pela mesma situação, de enriquecer seu projeto com novas perspectivas e diferentes soluções, de ampliar seu networking e encontrar conexões e atalhos que te ajudam a alcançar seus objetivos.
3. Estimula a autonomia: apresentar sua história e seus planos para um grupo de pessoas que pode escutar, questionar e oferecer outras perspectivas, é uma forma de te auxiliar a organizar e testar seu projeto em diferentes níveis. Isso favorece com que as pessoas se responsabilizem pelas suas decisões e projetos, além de promover críticas construtivas de forma antecipada à estreia de seu projeto no mundo, num ambiente protegido.
4. Favorece a concretização de projetos: não adianta sonhar ou identificar potenciais e habilidades se isso tiver pouca aplicabilidade no mundo real. A construção de projetos profissionais dentro de um contexto coletivo, onde há interações e relações entre as pessoas, possibilita que esse processo tenha características e formas semelhantes às condições sociais concretas. O processo em grupo facilita a exploração das possibilidades existentes e potenciais, tanto dentro de si, quanto no meio social no qual estão inseridos.
5. Ensina a lidar com o diferente: possibilita que os membros do grupo vivam experiências novas e não programadas, aprendam a lidar com as diferenças, com o inesperado que surge do outro, situações tão diversas e plurais quanto às que acontecem na vida cotidiana.
6. Traz dinamismo e agilidade para o processo: em média, o processo de orientação em grupo é 50% mais rápido do que o individual. Um dos motivos que torna isso possível é o fato de que a vivência de cada uma das fases de um processo de Orientação de Carreira é potencializada no grupo e isso faz com que as fichas caiam mais rápido. Pontos cegos seus podem ser apontados por outra pessoa e isso favorece a tomada de consciência para temas chaves que sozinho, levariam muito mais tempo.
7. Torna-se economicamente mais acessível: o investimento em um processo confiável de desenvolvimento profissional é alto, seja ele Orientação de Carreira, Coaching, Aconselhamento de Carreira, Mindfulness, ou qualquer outra modalidade da moda. Enquanto em um processo individual você investe sozinho para ter acesso à qualificação, técnica e renome do profissional em questão, em grupo você rateia esse valor. Em média, um processo de Orientação Profissional em grupo chega a 25% do valor de um processo individual.
Compartilhar e construir seus sonhos junto com outras pessoas continua parecendo uma má escolha?
Camila M Fabre é psicóloga formada pela UNESP, com Aperfeiçoamento em Orientação Profissional e de Carreira pela USP e especialização em Psicologia Transpessoal pela ALUBRAT. Iniciou sua carreira na área de Recursos Humanos. Hoje atua como psicoterapeuta e orientadora profissional e de carreira sendo também sócia-fundadora da TRID — Trabalho e Identidade. Desenvolve um trabalho sensível, aliando técnicas corporais, artísticas e lúdicas, sempre