A Sociedade do Cansaço

Vivemos na época do cansaço. As pessoas andam estafadas. Mas não é uma fatiga da vida, e sim do modo de viver. Dos desvalorizados valores que desvalorizam suas existências. Vivemos num mundo de competição e de sucessos. No entanto, as pessoas não sabem o porquê estão competindo, nem mesmo tem noção de quais critérios utilizar para definir seus sucessos. Ademais, na mutante psicologia de massa, as idéias de competição, assim como os critérios de êxito, estão constantemente passando por reavaliações, revalidações e reorientações. Então, como consequência desta miríade de novos conceitos, provavelmente carecidos de sólidas premissas humanas, as pessoas ficam confusas, tanto com relação aos seus caminhos, quanto com as bases para suas auto-avaliações. Desta maneira, perdidas à deriva de suas caminhadas, levadas ao léu por ventos indecisos e ondas vacilantes, mendigando por um oásis de segurança e estabilidade, as pessoas sentem-se emocionalmente exaustas, psicologicamente esgotadas e intelectualmente exauridas nestes imprevísiveis, túrbidos e contraditórios cenários existenciais. Tais premissas dão origem à sociedade do cansaço, à uma coletividade moribunda que vive letargicamente numa redoma metafisicamente antagônica, insustentável e derradeira. (Tadany — 14 05 15)

PS: Para citar este texto:
Cargnin dos Santos, Tadany. Sociedade do Cansaço. www.tadany.org ®

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