Concordância Pessoal

Num mesmo ser humano, quando existe uma dissonância entre a pessoa que toma uma decisão e a pessoa que deveria executá-la nasce, desta dicotomia, a maioria dos conflitos que assolam a psique individual. Por exemplo, antes de dormir, o tomador de decisão define que na manhã seguinte acordará mais cedo para fazer exercícios. Então, no amanhecer o relógio desperta e, impelido pelo mecânica rotina de não fazer exercícios diários, ele automaticamente desliga o despertador e continua dormindo até o habitual horário de acordar. Ou seja, muito embora ambos sejam o mesmo ser, aquele que tomou a decisão na noite anterior foi contradito pelo “outro” que despertou depois de uma noite de sono. Eis o princípio de uma auto-discórdia. Além disso, este amanhecer possui outros impactos imediatos e, um deles, é que depois do curto sono entre o frustrado despertar e o real despertar, após levantar da cama, a reação imediata da pessoa é sentir-se culpada por não ter cumprido com a promessa que ela fez para ela mesma. Isto por si só já é desagradável e indecoroso, mas não parando por aí, as pessoas tendem a usar este sentimento de culpa e, mesmo inconscientemente, disparam uma enxurrada de outros pensamentos julgadores contra elas mesmas. Assim sendo, se o dia inicia com este fluxo desestimulante, imagina como ficarão a auto-percepção e a auto-estima no transcorrer do dia e, se tal atitude repete-se por vários dias ou meses, imagine como ficarão o auto-respeito e a auto-confiança no transcurso da vida individual. Desta maneira, é importante estar ciente destas pequenas, mas perigosas, discordâncias pessoais e, acima de tudo, evitar que o tomador de decisões e o executor vivam em constante conflito para que, ao haver concordância e harmonia na essência individual, a pessoa possa viver de uma maneira íntegra, coerente e inspiradora com ela mesma. (Tadany — 21 11 15)

PS: Para citar este texto:
Cargnin dos Santos, Tadany. Pensamento 978. www.tadany.org