O amor também tem sentido quando não é dito

Aquela tarde toda fiz questão de mostrar o quanto gosto das flores crescendo com certa preguiça quando nos deitamos ao lado delas no gramado.

Fiz questão de lhe dizer, ou talvez gritar - não me lembro direito, o quanto é importante pra mim reconhecer na cor dos seus olhos todo o meu futuro. E na forma da sua boca toda a vigência do momento...até que de, em momento em momento, entender que os dias correm, não fogem.

Precisei daquela tarde inteira para que soubesse que o amor tem um pouco de sentido quando também não é dito. Porque falar demais implicaria explicar o inexplicável.

Eu sei que hoje sabe, não sei se sabe o quanto.

Deitar com você sob a sombra de uma grande Figueira, foi o maior encontro marcado e casual da minha vida, pois formamos as nossas coincidências em uma inconsciência plena de insanidade autorizada pelos nossos banhos de cachoeira, ou de chuveiros apertados nas nossas viagens econômicas.

Nós seríamos os melhores catadores de conchas da praia, se não precisássemos parar de tempos em tempos para nos beijar.

Aprendo a correr contigo, mesmo no ritmo lento do nascer do sol, quando observamos um renascimento entre as nossas mãos dadas e suadas por conta dos apertos sinceros nas preces feitas nas igrejas das pequenas vilas que ousamos toda vez parar.

Eu sinto dizer... e isso não é pejorativo. Eu sinto dizer e é algo bom porque é dito em cumplicidade com a vitória que queremos nossa, ao saber que não há pódio, concorrência ou luxo; que há espaço em qualquer canto do mundo quando se quer estar, e que há espaço em qualquer mesa quando se quer comer.

Sei que ninguém vive de amor, mas me mostrou que ninguém vive sem ele.

Tadeu Rodrigues

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