Dia nublado é dia nublado em qualquer lugar


Sobre critérios para decidir “quem vai?” e “quem fica?” em um relacionamento a distância.

Um dia de sol no Rio de Janeiro é bem diferente de um dia sol em São Paulo. Mas pode-se dizer que um dia nublado/chuvoso em São Paulo é quase igual a um dia nublado/chuvoso no Rio de Janeiro — na verdade, dias nublados/chuvosos são iguais em qualquer lugar do mundo. Mas o foco de comparação aqui será o eixo Rio/São Paulo para efeitos de contextualização do relacionamento a distância na ponte aérea (ou ponte rodoviária para quem é mais econômico ou de baixa renda).

Para quem mantem relacionamento a distância — e por relacionamento a distância é possível entender: namorados, noivos, companheiros, cônjuges AND, por que não?, familiares, tipo pai mãe, irmãos, que residem em municípios/estados/países diferentes — sabe que finais de semana, feriados e até férias são um dilema de “quem vai?” e “quem fica?”. Podem ser adotados vários critérios para resolver esse problema. Um que é bastante comum consiste em: quem está em menor número vai. Exemplo: você é só você sozinho. Já a sua família é composta por duas, três ou mais pessoas. Então é mais fácil você (que é sozinho) ir ao encontro da sua família, do que juntar a sua mãe, seu pai, seus irmãos, a avó e o cachorro pra ir ver você (que é sozinho).

Outro critério pode ser a renda: quem tem mais dinheiro vai. Afinal de contas, passagem hoje em dia, seja de avião ou de ônibus, está pela hora da morte. Faixa etária também conta. Se a distância for grande, viaja quem é mais novo e tem mais disposição para encarar horas e horas de deslocamento. Vale lembrar que a assiduidade das partes pode ser decisória. Se você já foi muitas vezes, é hora da outra parte dar um jeito. Afinal de contas, não há relacionamento que resista quando o esforço vem todo de apenas um dos lados.

Mas um critério que não é muito levado em conta e pode ser ser definitivo para resolver o dilema de “quem vai?” e “quem fica?” é a previsão do tempo. No caso do eixo Rio/São Paulo, por exemplo, saber se vai chover ou fazer sol faz total diferença para saber quem vai ser o contemplado da vez para pegar a estrada.

Se for fazer sol nas duas cidades: partiu Rio de Janeiro, ir à praia, andar de bicicleta, fazer trilha, tomar cerveja na mureta. Se for chover em São Paulo: partiu no Rio pelos mesmos motivos enumerados anteriormente. Se for chover no Rio, então vamos para São Paulo, ir a museus, exposições, cinema, shows, dar um rolé na Paulista, no Ibira, na Augusta, no food truck, na Benedito Calixto, no shopping...

E se for chover nos dois lugares? Bom, se for chover nos dois, tanto faz. No Rio você vai fazer as mesmas coisas que faria em São Paulo (exposições, cinema, shopping, etc etc…). E tudo vai estar lotado, porque todos os habitantes da cidade terão a mesma ideia de ir para os mesmos lugares. E em São Paulo você vai fazer praticamente as mesmas coisas que você faria com sol (e que já são naturalmente lotadas, independente da chuva).

No fim das contas, dias nublados/chuvosos são iguais em qualquer lugar. Então o que conta é estar com quem você ama, independente da cidade e da programação.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.