Entre Rosas

No meio de aplausos e risadas se esconde. Deixa de ser um palhaço, acende um cigarro e vai para casa. Sua casa, assim como seu espírito, tinha um ar denso de melancolia. Era como se a realidade fosse um jogo de soma zero: cada sorriso que causava era uma ponta pesada no peito.

Não era um caso de filantropia. Não escolheu essa vida. Ninguém nunca escolhe. Tudo é filho da absurda aleatoriedade do universo. Entre infinitas estrelas um pontinho azul abriga vida inteligente. Entre infinitas carreiras um pontinho vermelho abrigou seu nariz. Entre tantos sentimentos uma infinita tristeza se abrigou nele.

A vida é um mar de rosas e ele vive nos espinhos. Mas, quando olhava para a janela, hora ou outra via uma rosa. Sentava em sua ja ela e torcia para a rosa aparecer com sua beleza ímpar, curiosamente compartilhando o mesmo vício do palhaço.

No meio de uma reflexão viu ela. Seu peito ficou mais leve e ele começou a idealizar uma visa longe dali. Uma vida que não fosse um poço, uma vida que não fosse um cartaz anti-guerra, uma vida, quem sabe, com a rosa. Só assim conseguia arrancar um sorriso do seu público mais difícil: ele mesmo. Em um sorriso amarelo acabou seu dia. Antes fosse o último…

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