Papel Carbono 01 — A Vida Sexual do Super-herói Moderno

Dizem por aí que a imitação é forma mais sincera de elogio, daí por exemplo concluímos que a internet é um grande poço de bajuladores. Ademais isso, resolvi então dar a famosa kibada num texto dum grande amigo meu, o queridíssimo @lionel_leal (que não hiperlinkou porque ele não está nessa plataforma. Que feio) lá do Pocilga falando sobre um dos grandes momentos da DC quando o Super-homem fez um filme pornô com a Grande Barda.

Se você quiser ler o post original é até melhor, que aí eu não preciso ficar explicando tudo outra vez aqui. Mas se a sua preguiça é do mesmo tamanho (senão MAIOR) que a minha (credo), eu te dou um resumo: a Barda tava andando por uma quebrada estranha de Metrópolis quando foi raptada por um cafetão-telepático-produtor-de-filmes-adultos e obrigada por este a fazer VHS suspeitas para comércio em lojas alternativas. Quando o azulão aparece pra ajudar a menina, também cai sob domínio do Larry Flynt psíquico e se vê forçado a contracenar com a heroína. Assim, nessa sutileza toda.

Tirando toda a parte de que isso era um gibizinho de criança e não um Comando da Madrugada com Goulart de Andrade, um troço chama a atenção que é a reação a tudo isso pelo esposo da moça, o Senhor Milagre, que embora fique preocupadíssimo quando recebe a notícia do rapto através dum VHS suspeito entregue pelo soberano de Apokolips, Darkseid (é, o Darkseid nessa história é tipo aquele teu primo malandrão que levava pornô pro viradão de videogame da galera), quando descobre que o Super também estava metido na jogada, o cara fica meio aliviado. Eu diria, aliás, que ele fica até bem animado com o negócio.

Agora me diz, porque alguém ficaria de boa sabendo que tá sendo corneado pelo homem mais poderoso do mundo? “Ah meu deus, tão escravizando minha mulher no mercado de filmes adultos! Ah, mas ela tá contracenando com o Super, de boa então”. Isso talvez seja respondido pensando um pouquinho mais sobre a sexualidade (sobre-) humana.

Eu, não sendo leitor contumaz da DC, procurei aqui nos meus arquivos (wikipedia) sobre os poderes do Sr. Milagre e, embora o cara tenha força sobre-humana, certamente não é no mesmo nível da do azulão e tampouco da própria esposa. Ou seja, em casa, Scott Free não é o cara que abre os vidros de conserva, se é que me entende. E já correndo o risco de parecer bem machista, não é difícil para mim imaginar que essa diferença de forças possa ser bem significativa na hora do vamos-ver, do rala-e-rola, do vuco-vuco e eufemismos associados. Não temos como saber se o Sr. Milagre é como todo bom santo de casa e na hora da ferroada só contribui com um espeto de pau bem mais-ou-menos.

Então aí que entra o Super-homem. Ou, quer dizer, é aí onde o Sr. Milagre gostaria que ele entrasse. Chega uma hora na vida de um homem dentro de um relacionamento sério onde ele precisa se perguntar “será que estou satisfazendo minha/meu parceir@?”. Os auto-iludidos se escondem na máscara da confiança e replicam numa afirmativa automática, já os razoáveis examinam bem a questão pelo bem-estar do casal. E se depois desse exame a resposta for um sonoro “não”? E se você estiver condenando a pessoa amada a uma vida de frustração sexual em nome dos sagrados laços do matrimônio/namoro/baguncinha/pente? O que fazer? Propor algo diferente pode ser a solução.

E vindo dum casal onde algemas, por exemplo, simplesmente, não são uma opção, talvez um relacionamento a três possa trazer a faísca para reacender o fogo da relação. E segundo uma pesquisa que realizei com todos os meus conhecidos adeptos da prática dos relacionamentos poli-amorosos, multi-tarefa e super-liberais (o bom e velho suíngue), 2 entre 2 entrevistados me garantiram que confiança é um fator fundamental para ter a honra de ser convidado para a cama de casal alheia (antes mesmo de outros fatores e calibres, porque não, físicos, por exemplo). E quem mais confiável no mundo da editora do que o próprio escoteirão em pessoa?

É só fazer a contabilidade sexual envolvida: o Super é um cara solitário, portanto poderia se beneficiar de um arranjo do tipo; invulnerável e super-forte, ou seja, aguenta o tranco; alienígena, então não corre o risco de produzir uma gravidez inesperada e, por fim, extremamente leal e confiável. Assim, caso ocorra algo de inesperado nos termos do acordo da relação, ele será o primeiro a se acusar antes que alguém saia machucado. É perfeito!

Infelizmente porém, isso não foi lá bem recebido pelo casal de atores em questão, coisa que decepcionou um tanto o pobre Sr. Milagre, que viu sua chance de apimentar o relacionamento ir pelo ralo. O que me faz pensar porque, visto todas as vantagens envolvidas (incluindo o fato de barda-que-não-canta ser um mulherão), o azulão negou toda a empreitada. Será pela sua moralidade incorruptível? Ou será por outro motivo? Afinal, o pornô informal e subterrâneo é composto de diversas vertentes e correntes (inclusive algumas vertentes que utilizam-se bastante de correntes) e, quem sabe, as memórias quais tanto Supes quanto Barda afirmaram não se recordar no final da história, não são lá tão boas assim?

Jamais saberemos. Ou talvez, saibamos — basta saber se a Barda, assim que chegou ao lar doce lar dos Free, deixou o Megabastão de molho no desinfetante.