Miojo

TantoFaz
TantoFaz
Aug 8, 2017 · 3 min read
Duma busca no google por miojo

Eu tenho esse gosto particular. Não importa o que você diga ou o que você ache. Você pode perder horas me dizendo que miojo é comida de universitário, ou que é coisa de quem não sabe cozinhar, ou ainda que com alguns minutos a mais é possível fazer uma bela macarronada.

Não me importa. Mesmo! Eu não como miojo por nenhuma destas razões. Eu como miojo porque gosto. Eu sei seus argumentos e eu também sou capaz de fazer uma macarronada em 12 minutos. Não é questão de tempo, não é questão de prática. É questão de gosto. Todo mundo tem uma dessas. Essa é a minha. Eu substituiria qualquer refeição do meu dia por miojo tranquilamente.

Existe dia pra comer paella, existe dia para comer arroz com feijão, existe dia pra bife à milanesa e existe dia pra miojo. O miojo não é apenas uma comida que fica pronta em poucos minutos. Também não é apenas uma bomba de sódio. O miojo também não é apenas uma refeição saborosa de aparência duvidosa.

Miojo é aquela trepada gostosa, rápida, com aquela mina que você sabe que vai te fazer mal. Que vai te comer por dentro no futuro. Que os anos, sim os anos, te farão pagar de alguma maneira.

Miojo é aquela puladinha de cerca com a secretária na sala da copiadora. Você sai de lá suado, com alguns papéis amassados na mão e esperando que ninguém tenha desconfiado. As vezes você até tenta esconder que comeu miojo.

Miojo é aquela moça não tão bonita mas que te dá um puta tesão e que te mata a fome de vez em quando.

Miojo é a P. E isso não tem nada a ver com o cabelo dela, que era preto e lisinho quase batendo na bunda. Nem com a forma dela, que era cheia de curvas e nada quadrada.

P é meu miojo porque eu adoro miojo e eu adoro a P. Porque eu a comeria na salinha da copiadora em 3 minutos mas eu também me esbaldaria com ela numa cama king size por 3 horas.

P difere de miojo por diversos motivos. Porque ela tem aquele cheiro adocicado e aquela voz mansa que mais parece um jantar num restaurante francês do que uma refeição que você faz de meias sentado no sofá. Mas P também é miojo porque se for pra dar no meio da rua depois de um cinema, é ela quem escolhe o canto menos visível.

O engraçado é que a gente se conheceu porque alguém me disse que P precisava de ajuda. Eu mandei uma nota por e-mail, simples: “bem-vinda, sou fulano, vi que ficou meio confusa na reunião X, se precisar de alguma coisa…”

P agradeceu com um sorriso. Via e-mail mesmo. Me encanta pessoas que sabem se expressar sem sequer estar presentes. Confesso que, no início, o sorriso me deixou meio cabreiro, sem entender se era um deboche, sem entender se era um “estou muito bem assim, sem você”. Mas depois da reunião seguinte, quando ela me mandou uma nota perguntando o que era Cost Profile, foi aí e só aí que entendi que era um agradecimento.

Troca de mensagens e telefonemas que esclareciam termos técnicos e processos de produção até sorrisos singelos trocados nos corredores do trabalho me deixavam tentando entender o que P era. Quem P era, afinal?

Até que num dia desses explodi como quem não tinha mais o que fazer. — “Morro de tesão em você”.

“Eu achei que você nunca fosse dizer.” “Então você sabe?” “Claro que sei.” “E… você…” “Entra aqui.”

Foi a primeira vez que trepei no trabalho. Foi a primeira vez que trepei numa salinha de 1,5m². É claro que não foi a primeira vez que trepei em 3 minutos, mas foi a primeira vez que 3 minutos foram tão satisfatórios.

P é uma delícia. P é meu miojo particular.

TantoFaz

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Tudo aqui é real, até mesmo aquilo que é imaginário.

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