Releio esse trecho do livro A Balada do Café Triste, da Carson McCullers, toda vez que isso [me] acontece. Reli agora, após ler sua “ crônicazinha sobre comportamentos e o sentido da vida”, pois nós [cancerianos com ascendência em escorpião, somos mesmo, independente da fé inventada e do deus que nos habita, amantes. Até podemos assumir o papel de amados, mas prevalece, sabe-se lá se, por falta de juízo, alguma condição astral ou alguma poesia que nos valha, a condição de amante…. ]. É textão, mas é abalada do café triste, então respira aí e identifique-se:
“Antes de mais nada, o amor é uma experiência conjunta entre duas pessoas, mas o fato de ser uma experiência conjunta não significa que seja uma experiência semelhante para as duas pessoas envolvidas. Há o amante e o amado, e cada um vem de mundos diferentes. Muitas vezes, o amado é apenas um estímulo para todo amor que, até então, permaneceu guardado no amante. E, de alguma forma, todo amante sabe disso. Ele sente em sua alma que o amor é uma coisa solitária. Ele aprende a conhecer uma nova e estranha solidão, e é este conhecimento que o faz sofrer. Portanto, há somente uma coisa que o amante pode fazer. Ele deve abrigar o seu amor dentro de si, da melhor maneira que conseguir; deve criar para si mesmo um mundo interior totalmente novo, um mundo intenso e estranho, completo em si mesmo. É preciso acrescentar que este amante do qual falamos não precisa necessariamente ser um jovem que economiza para comprar um anel de noite; este amante pode ser homem, mulher, criança, ou qualquer criatura humana desta terra. O ser que é amado também deve ser descrito. As pessoas mais inesperadas podem servir de estímulo para o amor. (…) Por essa razão, a maioria de nós prefere amar a ser amado. Quase todas as pessoas querem ser amantes. E a dura verdade é que, secretamente, a condição de ser amado é insuportável para muitos. O amado sempre teme e odeia o amante,e com toda a razão! O amante necessita desesperadamente da relação com o amado, mesmo que essa experiência não lhe cause senão sofrimento.”
