Danças dedicadas.

De dia de pé, no outro no chão. Chorando diante do espelho da imperfeição, me vejo esfregando os olhos com compaixão e de cara feia para todos os bons. Nunca gostei de ser inferiorizado (ou de me auto inferiorizar) até porque isso tira a nossa vontade pra inúmeras coisas, ser dançarino não é diferente, vão existir milhões de pessoas que estarão ali pra te dizer o quanto você é ruim no que faz e no quão engraçado você fica fazendo o que você ou eu chama de “dançar”.

As dores no corpo jamais vão superar as dores que são causadas no coração com as palavras de desagrado que você ouve durante o dia, o auto sofrimento será constante até que você não permita mais que ele tome conta do seu psicológico, as dores no coração ficam maiores que acabamos por nos esconder para botarmos pra fora em lágrimas o que estamos sentindo de tão ruim. Chega uma hora que o lado esquerdo do peito não suporta mais tantos pliés e jetés, chega uma hora que a gente só quer deitar e viver o momento de olhar para o céu e ser… quem a gente quiser.

Disse uma vez para uma amiga que esse mundo da dança e do ballet clássico é maravilhoso e que não existe outro melhor ou igual a esse porque ele é como cada aula ou momento: único. Nossas lágrimas de dor são únicas, nossa perfeição é única e nossa visão sobre como as coisas são também. Não peço que concordem com que eu estou escrevendo ou com as coisas que estou imaginando, mas existe uma frase que marcou muito a mim e a uma grande amiga, que diz:

“Se você se permitir, o mundo será seu”

E na dança é assim! Se você é bailarino de qualquer tipo de dança, tenha em mente de que você vai sofrer todos os dias até atingir o que você almeja, mas até lá: se permita ser, se permita viver, se permita dançar, se permita chorar durante uma coreografia ou aula sem achar que as pessoas estão te olhando, se permita expressar como você se sente, se permita! O mundo pode ser seu, então se dedique e dance, se dedica e tenta, se dedica e cai, se dedica e inventa, se dedica e levanta, se dedica e vença porque o mundo também ainda vai ser seu.

“Dedico esse texto aos meus professores e amigos bailarinos e deixo ele como mensagem para que todos eles botem em prática as últimas coisas que eu disse no último parágrafo. Vocês são maravilhosos independente de qualquer tipo de diferença ou bronca em sala de aula. Obrigado.”

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