Corinthians 2018: Entrevista com Felipe Ezabella

São Paulo, 13 de Dezembro de 2017

Felipe Legrazie Ezabella é um dos candidatos à presidência do Corinthians em 2018.

O Corinthians tem ganho títulos em sequência, desde 2009. Depois de Ronaldo, já em fim de carreira, o time teve vários bons jogadores (mas não superastros) em equipes coletivamente muito fortes. Sua ideia de montagem de elenco é nessa linha ou teremos contratações fora de série? Neste ano você pretende trazer um grande nome ou prefere continuar na linha de 2017?

O Corinthians sempre tem que ter um time forte. Podemos, sim, ter um time extremamente competitivo, com a nossa cara, usando a base, a tecnologia na identificação de talentos e explorando a projeção que o clube dá (como foi no caso do Ronaldo). Time caro e badalado não é significado de títulos, como vimos neste ano, que ficará marcado em nossa história.

Para 2018, vamos prestigiar o planejamento que já está sendo feito pelo Alessandro e a Comissão Técnica e, aos poucos, faremos alguns ajustes. Falar o nome de qualquer jogador agora, de impacto ou não, seria desrespeitoso com o torcedor e com a comissão.

Seu projeto fala de integração total das equipes de base e da criação de uma equipe B do Corinthians. Qual seria a diferença para a experiência de parceria encerrada com o Flamengo-SP e como pretende fazer isso dar certo?

As coisas são bem diferentes. Na parceria com o Flamengo/SP, a ideia era a utilização do CT e alojamentos e, em troca, o clube financiaria a equipe adulta da cidade. O projeto de Equipe B é outra coisa.

O time B poderia absorver os atletas que “estouram” no sub-20, por exemplo, além de jogadores que precisam de rodagem. O Globo Esporte fez uma matéria mostrando 14 atletas que o clube tem emprestado por aí. Por que não termos estes atletas em casa?

Esta equipe daria um belo time para disputar outros campeonatos, movimentando torcedores para mais jogos em Itaquera (a preços simbólicos ou promoção social) e até a venda desses jogadores para mercados periféricos, como a Índia, a China e a Coréia, por exemplo.

A gerência de futebol, com Alessandro, será mantida? Quais são as principais mudanças que você fará no futebol profissional?

Sim, será mantida. Mas acreditamos que o Alessandro precisa de mais gente (coordenadores) para auxiliá-lo. Também apostamos em um projeto de maior integração com as categorias de base.

Quais mudanças fará para reformular o Fiel Torcedor?

O Fiel Torcedor é muito importante e temos que ter muita atenção e cuidado. Hoje temos 7 planos. Poderíamos simplificá-lo. Nossa ideia é ainda acrescentar o associado do clube dentro do programa. Todo associado pagante do clube seria automaticamente um FT.

Além disso, tentaríamos levar cada vez mais sócios do FT para o clube. Precisamos aumentar nossa base de associados do clube social. Temos também que ter mais produtos e serviços ao torcedor, não podemos ficar restrito à compra de ingressos.

Você diz que fará uma gestão de obtenção de recursos agressiva para aumentar o faturamento do Corinthians. Quais são suas principais idéias?

Temos quase meio bilhão em dívidas. Não é fácil lidar com isso. Atrapalha o fluxo de caixa. Temos que aumentar as receitas para que a dívida não trave a operação do clube. Nosso setor comercial, atrelado ao marketing, tem que ser proativo.

Temos uma marca muito poderosa e temos que ir atrás de patrocinadores, parceiros, licenciados. As lojas e a venda online precisam ser valorizadas e incrementadas. Não podemos ficar esperando o telefone tocar.

Uma nova gestão com medidas de transparência, governança e compliance certamente trará uma melhora na imagem do clube. Não podemos mais ter nosso nome em meio a escândalos e negócios mal explicados. Chega disso!

A transparência das contas do clube sempre foi abaixo do aceitável; todos os anos temos surpresas com contas não pagas ou atrasos. Podemos confiar que em sua gestão saberemos exatamente quanto o clube fatura e deve? O que impediu as gestões anteriores — com comando financeiro de Raul Corrêa, da sua chapa — de apresentarem a figura real?

Participei por pouco mais de 2 anos da gestão da Renovação e Transparência. Nessa época, o clube chegou a ganhar prêmios de clube mais transparente. Aos poucos foi deixando essa preocupação de lado, o que nunca concordamos. Acreditamos que não existe democracia sem uma verdadeira transparência.

Nosso compromisso é de seguir os parâmetros mais elevados nesse quesito. Vamos tentar obter algum tipo de certificação externa, algo como uma certificação “ISO” de transparência e governança.

Teremos a volta dos relatórios de sustentabilidade, a publicação mensal dos balancetes. A divulgação das operações e o relacionamento com os demais órgãos do clube serão feitos com muita transparência. Isso tudo depende do comando do Presidente e assim faremos.

O Corinthians sempre foi uma liderança e força inovadora no futebol. Você pretende capitanear uma mudança contra o poder das federações nacionais e estaduais, que cobram taxas de pelo menos 5% com muito pouco retorno e são antros de politicagem?

Representamos o novo, uma mudança de gestão e de paradigmas que o clube e o esporte, de uma maneira geral, precisam urgentemente. Certamente essas mudanças e inovações que pretendemos implantar no clube impactarão diretamente na forma de administração das demais entidades.

Você pretende separar completamente a parte social do futebol? Quais seriam os caminhos para fazer o clube social auto-sustentável?

Com o profissional, isso já acontece. A base precisa passar por isso, com o término da construção do CT. Essa separação trará melhor performance dentro e fora de campo. E o clube social tem que se aproveitar disso.

Que ações tomará na Arena Corinthians com relação aos financiamentos da Caixa e da Odebrecht?

Temos que renegociar os contratos com muita firmeza, independência, defendendo unicamente os interesses do clube. Não gostaria que o clube fosse mais sócio ou trabalhasse com essa construtora. Não será fácil, mas a linha que pretendemos seguir é essa.

Acredito que temos condições de negociar uma saída, condicionando pagamentos futuros, CIDs e a substituição das garantias (hoje essa é a maior dificuldade). Temos que alongar o fluxo de pagamento da Caixa pra podermos honrar pontualmente os compromissos. Isso é primordial.

Sua chapa tem vários integrantes de gestões anteriores do grupo de Andrés Sanchez. Por que houve essa cisão? Há a possibilidade de junção das chapas caso haja polarização na eleição?

Não há possibilidade de união. Já protocolamos nossa inscrição e temos um projeto sendo divulgado e debatido. Uma das premissas que tem nos guiado é ter uma candidatura própria, capaz de empunhar a bandeira com as mudanças que acreditamos serem necessárias na gestão .

A cisão por pensar e sonhar diferente é um movimento natural. Isso é democracia e temos a democracia no sangue. Vivíamos num sistema eleitoral engessado. Com o fim do chapão as pessoas começaram a buscar afinidades para se reagruparem.

Nosso movimento cresceu muito com as adesões das pessoas que acreditam que o modelo atual de gestão se esgotou, que é necessário gente nova e ideias novas no clube.

Qual é o melhor time do Corinthians que já viu jogar? Monte uma seleção com 11 dos seus favoritos, sei que ficará muita gente de fora…

Acho que o time de 2012 me marcou muito, não só pelos títulos da Libertadores e do Mundial, mas porque era um jogo coletivo, sem estrelas, com muito suor e entrega dos atletas e da comissão técnica.

Essas listas são difíceis, mas você pediu os favoritos, não os melhores. Assim, fico muito com as recordações da infância/adolescência: Cássio, Wilson Mano, Marcelo, Gamarra e Sylvinho; Ezequiel, Zé Elias e Neto; Tévez, Viola, Ronaldo.

O site da chapa de Ezabella é www.corinthiansgrande.org. Esta entrevista foi publicada originalmente no perfil de Twitter Teleco1910, no post https://twitter.com/Teleco1910/status/941065341966409728; mudanças aqui apenas em formatação e expansão de abreviaturas. O formato da entrevista foi idéia do mestre Guilherme Prado. Vai Corinthians!

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