Papo de Balanço

A vida passa tão rápido, as conversas tão sem significado. Mas será mesmo? Estamos acostumados a ver tudo sob um mesmo ponto de vista mas se prestarmos atenção aos detalhes, tudo assume um significado diferente, mais importante. Como um diálogo entre alunos do 3º ano que ao invés de se preocuparem com o que lhes aguarda na vida adulta, preferem passar o tempo vago da escola numa pracinha, entre os brinquedos infantis. Uma conversa que não significa nada, mas tudo, ao mesmo tempo.

Estranhos

‘’ Aquela é a Taciara? Quanto tempo… tá diferente.’’

‘’É, é ela sim… Estranho, né? É estranho pensar que você era tão próximo de uma pessoa e agora você encontra com ela e se da conta de que só é alguém que você conheceu.’’

‘’Pois é… e triste também. E o pior é que acontece mais do que gostaríamos de admitir.’’

Lar

‘’Aqui é tão feio, não acha?’’

‘’Horrível.’’

‘’E o pior é que eu não consigo me imaginar morando em outro lugar. Gosto daqui.’’

‘’Sim… Por mais bonito, agradável, que seja o lugar, fico com uma sensação estranha, como se estivesse deslocado. Dá saudades.’’

‘’Acho que esse é o problema de se mudar, de sair de casa. Essa sensação. Quando você esta com sua família esse sentimento não dura. Você se acostuma rápido com o lugar. Já me mudei bastante quando criança, sei disso. Mas e se estivermos sozinhos? Será que passa? Dizem que o seu lar é onde seu coração está. Então eu me pergunto se, quando eu tiver coragem pra encarar, essa sensação um dia vai passar.’’

Morte

‘’Você tem medo da morte?’’

‘’Hm… Tenho. Tenho, mas não é como se eu tivesse medo do que vem depois, tenho medo de que não tenha nada, sabe? Somos tão pequenininhos… Pensar que sua consciência simplesmente apaga, que você desaparece, é tão horrível!’’

‘’Entendi… Se eu for pensar por esse lado, acho que tenho medo também. Porque, olha só, nós temos tão pouco tempo aqui! Passa tão rápido. Tenho medo de envelhecer e não ter feito nada. De chegar perto da morte e me perguntar: ‘o que eu fiz?’ e me der conta de que não fiz nada. De que não deixei nenhuma marca. De que nasci, cresci, amei, odiei e ninguém notou.’’

‘’Então você não tem medo da morte em si, mas de não ter vivido da forma certa?’’

‘’É, acho que sim. E pensa em toda essa imensidão, nós não somos nada nesse universo mas, ao mesmo tempo, somos tudo! Não tem uma pessoa igual a outra. Cada um tem sua história, tão cheia de significado quanto a nossa. Pensar que ao morrer, simplesmente desaparecemos e que tudo que passamos será esquecido, dá, realmente, um calafrio.’’

‘’Meninos! Vamos? Já tá na hora, é 18:05.’’

‘’Mas já? Passou rápido. Tchau gente, até amanhã.’’

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