O Fantasma da Inferioridade

E como ele pode assombrar.

Caminhando pelas ruas ou no trajeto do ônibus, me pego em alguns momentos deslumbrada pelos grandes prédios e obras arquitetônicas que preenchem a cidade com uma beleza concreta.
Imagino que todas as pessoas que habitam ou frequentam esses lugares sejam proporcionalmente grandes. Nessas horas, sinto como se fosse diminuindo de tamanho e, como uma criança assustada, corresse pra dentro de mim mesma, numa tentativa tola de escapar de tudo aquilo que temo não ser.
Eu sonho alto demais, mas tenho medo de que meus braços não consigam se esticar o suficiente pra alcançar tudo aquilo que quero.
É quase como se meus desejos e eu habitássemos galáxias completamente diferentes,
e me contento apenas em observá-los à distância. Enquanto isso, me parece que todas as outras pessoas se tornaram astronautas de seus próprios mundos, com seus foguetes, braços e prédios gigantes, flutuando pelo desconhecido, sem previsão de volta.
E eu, em toda a minha pequenez, permaneço buscando caminhos de alcançá-los, tentando acompanhar o fluxo, me moldando e alterando o pouco que sobrou da minha essência para, quem sabe, chegar a esse universo aparentemente inócuo de objetivos e sonhos conquistados.
Só que é doloroso ver que se perde tanto de si para se chegar lá.
E dói mais ainda perceber que, nessa jornada, os pedaços que se foram não vão mais voltar.