O silêncio do sentir

Tenho pensado em como vivo meus relacionamentos. Desde cedo, idealizo alguém que me salve de mim mesma. O peso dessa idealização, obviamente, causa estragos perenes.
Sinto como se em todo as minhas relações eu tenha depositado no outro um peso imenso que eu não conseguia aguentar sozinha, mas o que eu não pensava era que, seja lá quem fosse a pessoa que eu estivesse junto, ela também não aguentaria.
E não aguentaria porque carrego em mim palavras que eu não consegui dizer, lágrimas que não consegui derramar e dores que eu não sabia como gritar — que hoje inundam minha alma e transformam tudo em uma espécie de silêncio, corroendo lentamente qualquer resquício de melodia ainda presente.
Eu tento quebrar o ciclo vicioso que me manteve presa em hábitos destrutivos, mas, como uma cobra venenosa e rastejante em toda sua potência, ele me persegue e me envolve até que eu me encontre imóvel e sufocando na minha própria angústia de sentir demais.
E sentir sem ter pra onde escorrer,
Sentir e tentar conter, dentro de mim, uma tempestade emocional impiedosa, que causa danos e sempre, sempre, sempre,
deixa ferida.
Sentir e tentar calar a voz que ecoa à distância me dizendo que não há nada de errado em ser desse jeito
E eu calo porque sei que o outro talvez não sinta tanto.