Pípípí — pípípí

Meu primeiro emprego na área em que iria me formar, não era mais babá, não era mais secretária, agora eu era uma Publicitária. Palmas! 
A mãe sorria toda orgulhosa, o pai batia nas minhas costas e dizia: “Essa é minha garota”. 
Mal sabia eles que, né, gente…

Escolhi uma musiquinha pra colocar como despertador, algo que me acordasse com alegria, disposta a enfrentar os desafios dessa nova etapa, não queria nada de pípípí-pípípí, queria uma música contagiante, alegre, que me faria saltar da cama com um lindo sorriso da Angelina Jolie no rosto.

Primeiro dia, animação total, mas não ouvi a música porque acordei antes do despertador. Gente que sofre de ansiedade me entende.

Segundo dia, a música deu resultado, acordei cedo pra passar um Mary Kay na face, perfume, um trato no cabelo. Já é!

Terceiro mês. Eu odiava aquela música, todo sentimento de amor que eu tinha por aquela canção, toda admiração pelos acordes, notas, melodia, tudo tinha evaporado. E quando ela tocava normalmente, sem ser no despertador, eu tinha tremeliques. Mil arrepios se alguém do meu lado cantarolava sem letra (amo cantarolar sem letras), junto com vários espasmos no olho esquerdo, aquela tremidinha irritante que você acha que nunca vai acabar, e quando acaba você nem percebe. O maior desgosto era saber que euzinha aqui provoquei tudo isso.

Então, meus amigos, se tem algo que eu poderia deixar nessa vida, e que você levasse pra eternidade, além de usar filtro solar, é: Música de despertador OBRIGATORIAMENTE precisa ser o pípípí-pípípi.