Diana de “Rock Story”: mais um acerto de Alinne Moraes

Ela é uma das melhores atrizes de sua geração e voltou à cena na atual novela das sete vivendo uma personagem ambígua, capaz de atitudes extremas que passam longe de qualquer classificação de “bem” ou “mal”, podendo ir do ódio ao amor. Diana, personagem de Alinne Moraes em Rock Story, é um turbilhão de emoções. E cada capítulo da trama só demonstra o quão acertada foi a escalação da atriz para viver o riquíssimo papel.

Filha de Gordo (Herson Capri), Diana viveu um casamento repleto de altos e baixos com o roqueiro Gui Santiago (Vladimir Brichta), com quem tem uma filha, Chiara (Lara Cariello). A separação do casal se dá após o veterano cantor descobrir que a então esposa tem um romance com o ídolo teen Léo Régis (Rafael Vitti). Tempos depois, ela descobre que o ex-marido agora está envolvido com Júlia (Nathalia Dill) e isso complica ainda mais a situação.

A diretora artística da gravadora Som Discos foi criada pelo pai, que em alguns momentos admite que deveria ter dado mais limites a ela, mas ambos têm uma relação repleta de cumplicidade. Em função disso, Diana passa a impressão de gostar de ter os homens a seus pés. O novo envolvimento de Gui quebrou este ciclo em parte, fazendo-a sentir que está perdendo o poder de influência sobre ele e isto desperta sua impulsividade, a ponto de, por exemplo, usar Chiara sem pudor como pretexto para dificultar o divórcio — um caso de alienação parental. Sua relação com Léo Régis serve como uma válvula de escape, embora o cantor tenha verdadeira adoração por sua musa, não recíproca.

Porém, em alguns momentos, Diana mostra seu lado humano e é capaz de ir até o fim para proteger quem ama, como mostrou a relação de Gordo com Laila (Laila Garin). Desconfiada do retorno da antiga namorada do pai, Diana chegou a armar com Lázaro (João Vicente de Castro) para que a cantora se afaste do dono da Som Discos, sem sucesso. Ainda assim, Gordo descobriu o envolvimento da antiga namorada com o amante Jorginho (Marcello Antony) e se deu conta de que os alertas da filha não eram em vão.

Todo este conjunto de atitudes faz com que Diana passe longe de ser considerada uma mera vilã, o que não legitima ou torna defensáveis várias de suas atitudes, mas mostra que elas são tomadas dentro de um contexto e com motivos. Há uma confusão que se faz entre “explicar” e “justificar” essas ações. E a atuação primorosa de Alinne Moraes deixa claro o quão acertada foi a escolha da atriz para viver um papel tão rico. A entrega de Alinne ao papel torna Diana uma das personagens mais atraentes de Rock Story, desde os rompantes de fúria da diretora artística aos momentos mais humanos ao lado do pai. A atriz também criou parcerias cênicas repletas de talento com Vladimir Brichta (repetindo a química já vista na série “Amor em 4 Atos”, onde fizeram par), Herson Capri, João Vicente de Castro, Lorena Comparato, Nathalia Dill, Rafael Vitti e especialmente Ana Beatriz Nogueira — as duas estão novamente juntas após viverem mãe e filha (Emília e Lívia) na excelente “Além do Tempo” (2015–16), agora como sogra e nora numa relação cheia de alfinetadas. Destaque-se ainda o quão diferente é sua composição em relação à personagem anterior, a mocinha Lívia. Postura, expressão corporal, tom de voz, tudo é novo, deixando em evidência a versatilidade dela.

Alinne estreou na TV em “Coração de Estudante” (2002), como a mãe solteira Rosana. No ano seguinte, chamou a atenção do público como a lésbica Clara, de “Mulheres Apaixonadas” (2003, de Manoel Carlos) e o casal foi um dos primeiros pares homossexuais a ganhar a simpatia e torcida do público. Em 2004, interpretou a surfista Moa, em “Da Cor do Pecado” (de João Emanuel Carneiro), que se envolveu com o mocinho Paco (Reynaldo Gianecchini). No mesmo ano, fez sua primeira protagonista, Nina, em “Como Uma Onda”, de Walther Negrão; e ainda participou, em 2005, da fracassada “Bang Bang”, como a romântica Penny Lane. Em todos esses papeis, Alinne já mostrava ser uma promissora atriz e viveu bons momentos, mesmo no começo de sua carreira.

Porém, duas grandes viradas a consolidariam. A primeira, em 2007, foi a vilã Sílvia, de “Duas Caras”. A descompensada megera foi um dos maiores acertos da novela de Aguinaldo Silva, inicialmente aparentando ser uma simples patricinha, mas que aos poucos se mostra uma psicopata, com doses de loucura, sociopatia e obsessão. Em 2009, veio o papel que a consagraria em definitivo: a modelo tetraplégica Luciana, em “Viver a Vida”, de Manoel Carlos. A personagem foi de longe o maior acerto de uma modorrenta trama, onde praticamente nada funcionou a não ser o drama vivido pela jovem e seu envolvimento com os gêmeos Jorge e Miguel (Mateus Solano) — em grande parte graças ao irretocável desempenho de Alinne. Ela ainda faria participações em séries como “As Cariocas” e “Amor em 4 Atos” (onde fez par com Vladimir Brichta em dois episódios), viveu a Lili no remake de “O Astro” às 23h (vivida na versão original pela grandiosa Elizabeth Savalla) e ainda protagonizou — ao lado de Danton Mello — a série cômica “Como Aproveitar o Fim do Mundo”, de Fernanda Young e Alexandre Machado.

Em 2013, Alinne foi escalada para viver a fotógrafa Marina em “Em Família”, última (e mais fraca) novela de Manoel Carlos, porém, saiu antes das gravações devido à gravidez de seu primeiro filho — o papel foi herdado pela também talentosa Tainá Muller. Seu retorno às novelas se deu na primorosa “Além do Tempo”, na qual viveu a cativante mocinha Lívia e fez grandes parcerias com Rafael Cardoso, Irene Ravache, Ana Beatriz Nogueira e Paolla Oliveira.

Agora, a atriz está de volta à cena com um tipo totalmente diferente, em todos os sentidos, de sua personagem anterior. Diana é um dos tipos mais interessantes de Rock Story, ora por sua impulsividade, ora por sua esperteza. A executiva desperta reações as mais diversas possíveis em função das suas ações, seja causando ódio ao querer jogar a filha contra o ex-marido, seja usando suas características a seu favor, como quando tenta alertar o pai sobre a ex-namorada. E Alinne Moraes, cada vez mais, empresta seu brilhantismo ao rico conjunto de nuances da empresária e se firma como uma das melhores atrizes da geração jovem, não apenas por sua competência e entrega, mas também por saber escolher bem os papeis. A Diana tinha que ser dela.

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