André Matarazzo FLAGCX / Interpublic Group
& Board Advisor: TheBridge.social

The Bridge entrevista: André Matarazzo

FLAGCX / Interpublic Group
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Onde tudo começou em sua carreira?

No interior de SP em 1997, fazendo sites para empresas pequenas que compravam mídia numa revista online da época e precisavam de um site para que as pessoas fossem direcionadas para algum lugar. Era o começo da web no Brasil.

Qual foi seu maior desafio e sua maior conquista na vida?

Acho que foi ter conseguido raciocinar em cima dos fatos do dia-a-dia com uma cabeça mais científica, mais cética. E ainda é um dos grandes desafios que tenho até hoje. O que me ajudou a repensar quase que todos os meus conceitos aprendidos desde criança foi realmente ter morado fora, dentro de culturas bem variadas, durante muito tempo. Eu acabei virando uma pessoa que não é produto de nenhuma cultura mas também acho que me encaixo em todas.

Qual o primeiro site/aplicativo/software que voce abre de manhã?

Email. Sou velho.

Quem é sua maior fonte de inspiração criativa na web?

“A web” é um termo que não faz muito mais sentido para mim. Um dia ouvi um cara educar um grupo de clientes dizendo: “Não pensem em WEB, pensem em NETWORKING. O mundo atual não é digital, ele é apenas conectado de maneira completamente diferente”. Por isso eu realmente me inspiro mais nas grandes notícias e movimentos que mexem com as pessoas, com o interesse de entender o que tem por trás delas e por que as pessoas se movem tão facilmente em prol de umas e nem ligam para outras.

Agora, festivais de publicidade do nível Clio, Cannes, One Show e demais são sempre uma fonte incrível de inspiração. Mas não dá mais para separar “digital” do resto. Acho que as áreas digitais desses concursos ficaram fracas por causa disso.

Por que trabalhar fora do Brasil?

Tem uma pergunta maior que é “Por que VIVER fora do Brasil”. Acho que todos nós temos que nos extrair de nossa cultura para podemos nos olhar de longe. Para poder ter um olhar crítico a respeito das pessoas, das sociedades, dos objetivos traçados para cada. O entendimento que as maiores ansiedades para nós são realmente as menores para um Finlandês (e vice-versa) é um insight chocante. E muda sua cabeça. Para melhor.

Trabalhar fora do Brasil é a chance de viver dentro dessa mudança contínua, com segurança, com dinheiro, e com uma chance muito maior de se integrar realmente numa cultura nova. Um turista vive diferente de alguém que faz curso de línguas, que vive diferente de alguém que trabalha e tem responsabilidades e várias outras conexões.

Espero ainda poder fazer isso outras 20 vezes.

Quais publicações você lê com frequência?

Eu coloco blogs que gosto no meu leitor de RSS e dou umas olhadas eventualmente. Gosto de Mashable, PSFK, Seth’s Blog, the Verge e outros

Como foi sua experiência trabalhando fora?

Bem variada. Foram mais de 6 agências em 6 cidades diferentes. No geral tem alguns clichés clássicos que são verdadeiros. Tudo é infinitamente mais organizado. Existe mais tempo para que um processo exista. Com poucas excessões (talvez NYC e Londres) não se trabalha numa loucura até as 10 da noite, e por aí vai. De qualquer maneira é muito enriquecedor ter gente do mundo todo do seu lado, entender outros pontos de vista e aprender em todas as oportunidades.

Quais dicas você daria para alguém pensando em trabalhar fora?

Vá. Vai ser a melhor experiência da sua vida.

O que vem pela frente em sua carreira?

Não sei. Virei um criativo nômade que roda pelo mundo e trabalha remotamente. Conquistei meio que um sonho meu. Não é perfeito, mas a liberdade total de ir e vir de de encontrar pessoas diferentes e trabalhar com novos grupos o tempo todo são uma puta recompensa.

Quem é a pessoa mais irritante do mundo na sua opinião?

Ótima pergunta! Brasileiros mal-educados — que ainda por cima se acham bem-educados.

Qual foi a maior dificuldade que você encontrou quando foi morar fora?

Tem as dificuldades da nova cultura, língua, começar tudo de novo, achar um banco, ver onde se faz compras de supermercado, fazer novas amizades… tudo isso pode ser um martírio quando tem que recomeçar tudo de uma vez, mas também é uma das partes mais legais e onde me divirto mais. Começar de novo, o tempo todo.

No trabalho, o pior que pode acontecer é você curtir a agência (que você pesquisou o suficiente, espero) e depois quando vai conhecer o time, é uma merda. Ou sem grandes talentos. Ou uma gerência medrosa. Ou um chefe ruim. Tudo isso é duplamente mais assustador, porque você não simplesmente “pegou um novo emprego” e sim “pegou uma nova vida”. Tudo está dependente daquilo. Suas expectativas, talvez sua família, tudo novo que você começou (e não quer descomeçar logo na sequência).

Diria então que o maior desafio é não dar certo, muito pior do que não dar certo “em casa”.

Qual foi sua maior motivação para ter uma experiência no exterior?

Sempre fui muito curioso e queria saber como era a vida fora daquele mundo onde cresci. Tinha certeza de que tinha muita coisa diferente lá fora, só não sabia quanto. Eu sai do Brasil assim que fiz 17 anos, mais porque precisava ver algo novo do que por algum fator específico.

Como você melhor utiliza sua criatividade no seu dia-a-dia?

Eu tento aplicar a capacidade de resolver problemas para outros desafios de negócios, projetos pessoais e até com amigos que possam precisar de alguma ajuda. Também acho que ter um background de design me faz ter um olhar crítico que nunca vai sair. Não é uma condição exclusiva, mas acho que me ajuda a apreciar as coisas bonitas da vida.

Alguma dica ou comentário final?

Vá morar fora. Não existe uma alma nesse mundo que lançou voos maiores e voltou dizendo “queria não ter visto nada disso”. Agora, o número de pessoas que se arrepende por não ter tido uma experiência internacional está na casa dos milhões.

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