3 itens essenciais para São Paulo se tornar uma cidade inteligente de vez

Energia solar, veículos inteligentes e internet pública de qualidade podem tornar São Paulo uma cidade mais sustentável e mais preocupada com o ser humano.

Raquel da Cruz
Jul 23, 2017 · 6 min read

Que São Paulo é uma cidade caótica todos nós estamos cansados de saber. Entra governo, sai governo, diminui a velocidade máxima permitida, volta-a para o que era antes, mas o trânsito continua parado. Pinta muro, “limpa” muro, põe assistente virtual na Pinacoteca, e a discussão sobre arte versus entretenimento versus rabisco não consegue seguir em frente. Enfim, os exemplos são muitos, todos eles poderiam ser resolvidos, talvez, com uma conversa franca e empática. No entanto, nada irá para frente sem conhecimento e esclarecimento sobre esses temas tão latentes na nossa sociedade. Então, o que realmente podemos fazer mudar São Paulo?

É claro que um projeto a nível de política pública se faz necessário e as pautas são diversas. Por outro lado, há aqueles que acreditam que a natureza, ou o destino, ou deus, dará jeito em tudo. Existem também os que dizem que a tecnologia poderá resolver tudo. Mas, se a tecnologia pode resolver tudo mesmo, o que nos há ofertado hoje que podemos utilizar?

O que queremos discutir neste post é justamente isso: o que fazer com o que já temos. Apresentamos, assim, algumas tecnologias já existentes que têm um potencial enorme não apenas para mudar São Paulo, mas principalmente para mudar o mundo. Energia solar, veículos inteligentes e internet pública, se aplicados em todas as cidades do mundo com eficiência, podem ser um ponta pé para uma evolução gigantesca na Humanidade.

Energia Solar

Em seu documentário, de 2016, Before The Flood, Leonardo DiCaprio entrevista Elon Musk, Ceo da Tesla, uma gigante no setor de tecnologia, para tentar identificar como a energia solar poderia contribuir para um mundo mais sustentável. Na ocasião, Musk menciona que, para abastecer toda a população da Terra, seriam necessários apenas cem Gigafactories, como a de Reno, Nevada. Uma única Gigafactory, que é responsável por armazenar e distribuir energia solar, ocupa, aproximadamente, 1,5 km².

Isso significa que com apenas um décimo da área da cidade de São Paulo, o mundo já estaria completaria autossuficiente em energia. Isso mesmo! Apenas um décimo da cidade resolveria o problema.

Já imaginou uma São Paulo em que todos os topos de seus edifícios possuem painéis solares? Não seria mais necessário que a energia que utilizamos atualmente fosse produzida em um local tão distante de nós, com tanto dano para a população da região, flora e fauna. Isso mudaria por completo as relações econômicas no mundo. São Paulo daria início a um novo negócio comercial no País.

Um grande empecilho para a substituição para energia solar são as empresas que produzem as chamadas energias “sujas”. Como a energia solar custas bem menos para ser produzida, distribuída e requer quase nada de manutenção, essas empresas, mesmo que migrassem para a produção e distribuição de energia solar, lucrariam bem menos do que conseguem hoje. Além disso, já que são apenas necessários cem parques de captação solar como o da Tesla, seria necessário um número bem menor de usinas. Isto é, a vasta maioria das empresas que produzem energia, que qualquer tipo que seja, teriam que fechar suas portas.

Quando falamos de energia solar, não estamos apenas falando da saúde do planeta, mas também da evolução da humanidade. O astrofísico russo Nikolai Kardashev cunhou, na década de 1960, uma teoria em que existiriam, ao mínimo, três tipos de civilizações no espaço.

1. Civilização Planetária: capaz de usar e guardar toda a energia de seu planeta (petróleo, vento, urânio, etc.), controlando-o por completo, e da sua principal estrela vizinha.

2. Civilização Estelar: não só coleta a energia de sua estrela principal, mas consegue dominar a própria estrela.

3. Civilização Galáctica: teria o conhecimento preciso para dominar a energia de toda a galáxia e múltiplas estrelas.

Isso deixaria os seres humanos no que alguns outros astrônomos e físicos chamam de Civilização Zero, já que não somos nem capaz de coletar a energia do nosso Sol com eficiência.

O que queremos dizer é que, precisamos começar a manipular a energia solar com urgência se quisermos descobrir o que há além do que conseguimos observar em nosso Universo aparente. Do contrário, estaremos à mercê da seleção natural e não poderemos preservar nem mesmo o nosso bioma atual, quanto mais cresce-lo.

Veículos inteligentes

São Paulo é sinônimo de trânsito caótico. A cada feriado, ouvimos nos noticiários que um nove recorde de acidentes ou congestionamentos foi batido. Os gases tóxicos que saem dos escapamentos dos milhares de veículos paulistanos só contribuem para uma série de doenças respiratórias na parte mais frágil da população, como idosos e crianças, além de poluírem a atmosfera de uma forma nunca vista antes. O valor gasto com combustíveis, ainda mais com a crise, só cresce, fazendo com que não só o preço da viagem fique mais caro, mas também o preço de todos os produtos que precisam ser transportados por rodovias. Apesar de tudo isso, mesmo com a gigantesca crise no setor, as concessionárias não param de vender.

A solução está, evidentemente, no investimento em tecnologias automotivas. Como todos já até sabem, é necessário que transporte público de qualidade seja entregue à população. Não é impressionante como nós brasileiros viajamos para países mais desenvolvidos apenas para andar de metrô? O papel dos veículos inteligentes está justamente na eficiência que ele pode trazer para o coletivo: tarifas mais baratas; trajetos mais rápidos; sem acidentes.

A tecnologia não está limitada apenas aos veículos, mas também ao tráfego em si. A intenção é que tudo seja automatizado. Semáforos, veículos, vias, fiscalização, tudo integrado em um sistema que beneficia e tem mantém o foco nos pedestres e ciclistas. Embora exemplos de trânsitos assim ainda sejam raridade, esta é a solução mais sensata para uma população que só cresce, mesmo sem espaço para isso.

Internet pública

Este é um ponto que devemos ficar orgulhosos de São Paulo. A cidade possui um projeto chamado de WiFi Livre SP, que abrange 120 praças na cidade, além de parques, terminais urbanos e centros de cultura.

Em 2014, a Prefeitura de São Paulo, em parceria com a Universidade Federal do ABC (UFABC), realizou a pesquisa “Conectividade e inclusão digital para São Paulo”, com o intuito de identificar o impacto do programa de acesso livre à rede de internet na vida do paulistano. O estudo comparou São Paulo com diversas cidades modelos no mundo e concluiu que as tendências implantadas na capital paulista vêm acompanhando as mudanças da sociedade junto com essas outras cidades.

A gestão do programa “WiFi Livre SP” parece adequado às necessidades mínimas de acesso à internet gratuito em locais públicos. Destacam-se pelo pioneirismo e especialmente pela transparência, o respeito à privacidade do usuário, encontrado em poucas outras experiências além de São Paulo; as informações técnicas disponíveis no portal do serviço; facilidade de acesso sem a necessidade de cadastro; a distribuição dos locais de acesso por todas as regiões da cidade, desde as regiões centrais até pontos nas extremidades das outras regiões da cidade. — Relatório da pesquisa Conectividade e Inclusão Digital para São Paulo.

O relatório traz outros exemplos. Próximo de nós, vizinho de fronteira, há o Uruguai. Lá, o projeto foi implantando de uma maneira diferente. O acesso à internet pública foi implantado a nível federal por meio da distribuição de computadores portáteis, com acesso à rede educativa, a todas as crianças em idades escolar e todos os professores de escolas públicas. Entretanto, o exemplo mais impressionante que o estudo traz é o de Seul, capital da Coreia do Sul. Lá são 15 mil locais de acesso espalhados pela cidade, fazendo dela a mais conectada do mundo.

A questão do acesso grátis à internet fica aqui para levarmos nossa imaginação além. Como seria se São Paulo estivesse completamente conectada? Como a internet das coisas poderia ajudar nosso dia a dia? O quanto de disponibilidade nós não teríamos para engrandecermos enquanto indivíduos sociais? Sem sombra de dúvidas, tempo seria economizado, o meio ambiente seria poupado e novas descobertas seriam feitas todos os dias.


Não podemos negar a sociedade está evoluindo. Se hoje somos Homo Sapiens Sapiens, passaremos a ser Homo Sapiens Digitales em pouco tempo. A digitalização, virtualização, robotização é o próximo passo da humanidade. Se há a curiosidade em transformar aparelhos analógicos em digitais é porque a mente humana também quer saber como seríamos se fossemos digitais. Quem não acompanhar o processo ficará perdido em um novo estranho mundo.

O mesmo serve para São Paulo. Como queremos que nosso estilo de vida mude a fim de acompanhar tais modificações da sociedade? Com certeza, a principal mudança está em olhar para o outro com empatia, desejando que o mundo seja melhor para todos. Energia solar, veículos inteligentes e internet pública são apenas alguns pontos para começarmos a pensar nessa transição.

Raquel da Cruz

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Brazilian. PR. Loves the cultural indsutry.//RP. Adora indústria cultural.

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