Be a Madonna

A serenidade no olhar de quem é conhecida pelo seu próprio nome

Outro dia estava celebrando meu 1o ano solteira e eis que, pouco depois, ainda me chamam de “a ex de fulano”. E acho que a gente precisa falar um pouco sobre como é ser “a ex de fulano” em vez de “Giovana”.

Eu entendo que o tal ex é um cara “conhecido”, pelo menos mais do que eu. Entendo que muita gente deve ter ficado sabendo da minha existência como “namorada de fulano”, em vez do meu próprio nome. Também entendo que quem é amigo dele se refira a mim desse jeito porque, bom, faz mais sentido.

Mas também acho que ser “a ex de fulano” anula tudo o resto que eu sou. Anula minha carreira, minha ambições e minhas conquistas — sim, eu sou uma pessoa bastante bem-sucedida, que consegue tudo que quer porque é muito boa em tudo que se propõe a fazer. Anula minha própria força e meus créditos, porque não sou eu sozinha, sou eu com — agora sem — alguém. Anula minha identidade quando um rapaz fala que ficou comigo porque eu sou ex de fulao (sério. SÉRIO. MUITO SÉRIO, isso aconteceu). Anula tudo que aconteceu enquanto era namorada de fulano e não me permite superar esse relacionamento falido e traumático, porque sou sempre alguém ligada a outra pessoa, ma pessoa à qual não quero estar conectada.

Então, pra quem não me conhece, segue uma mini-bio para vocês terem novas maneiras de se referirem a mim:

Giovana, 26 anos, melhor aluna, premiada em concurso nacional de Jornalismo durante a faculdade, co-criadora de um dos maiores blogs de cultura geek do Brasil, ex-jornalista de tecnologia (vocês sabem quantas mulheres existem em sites de tecnologia? ok), faz parte da equipe de marketing para o Brasil e América Latina da 2a maior startup do mundo, encarregada da comunicação.

Se quiser falar de outros talentos, é uma excelente motorista, imita a Britney Spears, faz belting, arruma tomada, pinta parede, monta móveis, cozinha comida saudáveis, fala três idiomas que aprendeu sozinha e está aprendendo mandarim também sozinha.

Se quiser falar de aparência, já que às vezes é a memória visual que pega, Giovana é alta, era ruiva, agora é morena mas sempre tem uma outra cor no cabelo — atualmente azul e rosa — , tem algumas sardas, usa batom vermelho e batom roxo, roía as unhas mas agora parece que parou e troca de esmalte três vezes por semana.

Mas, sinceramente, prefiro que evite falar de mim porque não gosto que falem de mim. Eu mesma evito ao máximo fazer ou participar de fofoca.

Em um mundo em que mulheres que correm atrás das suas coisas e vivem suas vidas são conhecidas como “ex do fulano”, mesmo anos depois do término, minha ambição é ser uma Madonna, que tem um monte de ex-namorados, mas não é ex de ninguém, é apenas Madonna.

(Cher também vale para o exemplo).

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