
Bioshock, você fez de novo
Faz um pouco mais de um ano que eu escrevi sobre Bioshock Infinite, você pode ler o texto completo aqui. Ele fala sobre jogar videogame com o irmão mais velho e sobre o momento, aquele um momento, no qual ele para de pegar o controle e deixa você jogar mas fica ali do lado te ajudando.
Juro que aconteceu comigo.
Então, pensei em fazer outro texto, meio que uma continuação, depois de jogar Burial At Sea, especialmente a parte 2, porque achei que os dois teriam relação. Agora, já não sei se acho tão relacionável e não sei se consigo explicar exatamente o que senti (tendo a ser racional demais na hora de tentar explicar essas coisas e sei lá, às vezes a gente só sente), mas quis escrever mesmo assim.
Ah: spoilers a seguir.
Pois bem, na parte 1 de Burial At Sea você joga novamente como Booker e aparece uma Elizabeth que abriu um Tear diretamente de L.A. Noire e vocês vão atrás da Sally, a garotinha que a essa altura já virou Little Sister, puta rolê mas é bem legal ver Rapture antes da queda, dá altas merda, vamos para a parte 2.
Na parte 2 é onde tem mais novidades, já que você joga, pela primeira vez, como Elizabeth, uma Elizabeth confusa, que tem todos os dedos, não consegue abrir Tears sozinha, fala com um fantasma do Booker na cabeça dela e tem que fazer altos rolês em Rapture, só que num esquema super stealth e com algumas gracinhas a mais na hora de interagir com o cenário para se mover.
Mas não quero falar do jogo em si, de mecânicas e tal, quero falar de como foi jogar com a Elizabeth em alguns momentos que me chamaram a atenção.
Primeiro, eu não sou boa em stealth. Na verdade, eu chego muito, mas muito próxima de odiar stealth. Eu gosto de overpower, de explodir tudo, armas que nunca ficam sem munição e todo tipo de cafonice possível nessa hora — não à toa, Saints Row The Third > GTA de modo geral, mas GTA V > Saints Row The Third.
Mas, com a Elizabeth, eu abracei o stealth como parte do meu ser. Na verdade, eu fui é muito cautelosa e só depois percebi que estava quase no fim do jogo em stealth, passei a maior parte agachada, me escondendo, tentando perceber inimigos pelas paredes. Jogar como Elizabeth me passou algo que, como Booker, eu não tinha: uma fragilidade imensa. Não medo, porque não tinha medo de ser encontrada, mas a sensação de que eu não poderia ser vista. E tinha certeza de que eu poderia passar sem um arranhão pelas situações mais tensas, algo que, em outros jogos que precisam do stealth, não acontece.
Não sei se é da personagem, já que em Infinite também rola uma necessidade desnecessária de proteger a Elizabeth, mas aqui era diferente, não era paternal, era eu comigo mesma. Enquanto personagem. Acho.
Talvez eu tenha me identificado mais com a Elizabeth que com o Booker, quem sabe não tanto pelo fato de ser mulher quanto pelo fato de que, nesse caso, o “o que eu vou fazer agora” é mais próximo do “o que eu faria agora”, porque também não sou a pessoa mais experiente em andar armada, matar pessoas, invadir lugares e salvar crianças.
Mas também me percebi mais corajosa mais para o fim do jogo, me arriscando mais e fazendo escolhas mais inteligentes e que eu sabia que dariam certo, e foi isso que me fez pensar nisso tudo. Talvez, assim como a personagem evolui, eu também fui ficando mais confiante — confiante de um jeito que nunca fui com o Booker em Infinite.
Houve dois momentos em que eu me percebi imersa demais, ou o jogo coincidiu com coisas que eu faria ou precisaria ouvir.
Um, foi um susto da Elizabeth — não apenas um susto, mas um grito de horror, seguido de uma respiração ofegante e mais gemidos do susto. O surpreendente é que o grito foi a minha reação, e só percebi que estávamos sentindo a mesma coisa quando ela continuou com a respiração trêmula no jogo.
Outro, foi um momento em que ela não tem certeza do que fazer e o Booker a orienta e a manda ir em frente. Esse tem mais a ver com o outro texto, na verdade.
E, no fim do jogo, o terreno começa a ser formado para o primeiro Bioshock e você termina meio em choque, sem entender nada, tomando uma água pra raciocinar melhor, procurando explicações no Reddit e novamente pensando puta que o pariu, Bioshock, você fez de novo.
Bioshock Infinite melhor jogo, tão melhor jogo que até o DLC é melhor jogo.