Estive pensando sobre: 10 anos atrás

Ultimamente, eu tenho pensado muito na pessoa que eu era há 10 anos. Não conscientemente, mas muita coisa tem me feito lembrar da minha adolescência, seja conversas com os amigos, músicas que eu ouvia na época que surgem no shuffle ou aquela pesquisa semanal de fotos para o #tbt do Instagram.
O que no começo era só uma coincidência acabou virando uma forma ativa e bastante consciente de rever quem eu era. E, ao contrário do que costuma acontecer quando a gente lembra da adolescência, quando isso acontece eu não morro de vergonha. Pelo contrário, eu até admiro quem eu era aos 16 anos, talvez tente até me inspirar na Giovana adolescente. Não aquela coisa de “eu teria orgulho de quem sou hoje”, mas algo na linha de “o que eu faria se tivesse a imaturidade e a criatividade dos 16 anos”. Mas não tão literalmente. Sei lá, é difícil explicar.
Uma vez minha mãe, comentando a minha adolescência, falou que achava surpreendente o fato de que eu era muito autêntica - fazia o que eu queria, me vestia como achava legal, não me importava muito com os colegas mais descolados da escola e dava a mim mesma a liberdade de descobrir quem eu era e quem queria ser, mas sem me tornar irresponsável ou inconsequente. Falando assim, era um balanço interessante de coisas, mas, na prática, não me sinto especial e também não me sentia na época (a comunidade de odiadores da minha pessoa no Orkut falhou em mais esse quesito, desculpe caras).
Mas hoje, 10 anos depois, eu sinto um pouco de falta desse, ahn, comportamento? Não sei se é essa a palavra. Mas às vezes eu queria ser mais ousada, de modo geral, porque sinto falta do frio na barriga que tinha o tempo todo. Olhando as fotos do colegial, sempre tinha algo acontecendo, sempre havia alguma coisa na minha cabeça, no meu quarto, em algum caderno, e eu vivia de um jeito muito mais simples: não tinha celular, internet era só de fim de semana, sair com os amigos e o namorado era só de fim de semana, basicamente eu só vivia de fim de semana e estudava e via reprise de Friends na Warner de 2a a 6a, tinha um grupo bem restrito de amigos e me divertida com coisas imbecis como “ei, tira uma foto minha com a cabeça do lado dessa roda do caminhão”.

Eu não estou reclamando da minha vida hoje, sou bem feliz com o que tenho e como vivo, mas acho que é aquela coisa de “a gente só sabe como era bom quando não é mais”. Atualmente, acho que sinto mais saudade até da minha adolescência do que dos anos de faculdade (que era divertido mas era o maior perrengue).
Acho que sinto falta da simplicidade que era ser adolescente no interior de São Paulo e relembrar fotos, músicas, vergonhas que passei ou fiz os outros passarem (adolescente né) e até rolês que eu fazia naquela época me ajuda a me reconectar com a pessoa que eu, no fundo, sou de verdade.
Outro dia encontrei meu primeiro namorado. Ele também mora em São Paulo e bem mais perto do que morávamos em Piracicaba, mas acho que nos vimos umas três vezes nos últimos 10 anos. Ficamos um tempão conversando e, dois momentos, ele comentou “você sempre foi assim” — um, falando que eu sou determinada e não tiro uma coisa da cabeça até conseguir; outro, quando eu disse que odeio dormir fora de casa e também não sou muito chegada em “terceiros” na minha casa. Também reparei nele algumas coisas que permaneceram da adolescência, e foi isso que me fez pensar nessa minha mania nova de ficar tentando lembrar de como era: talvez a gente, no fundo, nunca mude de verdade. Quer dizer, a vida acontece e faz com que a gente mude de opinião sobre algumas coisas, mas talvez quem a gente era aos 16, 17 anos é quem a gente, lá no fundo, vai ser para sempre. Vai ver nosso auge é nessa época e depois a gente aprende a esconder as coisas e moldá-las para se dar melhor na vida.

E talvez eu esteja, mais do que sei, tentando me reconectar com quem eu sou de verdade, ou aceitar que é assim que eu sou — odeio acordar cedo, me esforço sem medida para conseguir o que quero, sinto sono o tempo todo, espero um dia ser conhecida por ser muito foda em alguma coisa, odeio gente arrogante, não sei disfarçar quando estou descontente, gosto muito de Aerosmith mas fico igualmente emocionada com Britney Spears. Desde adolescente e até hoje, quando você tira toda essa camada de coisas que me fizeram ser quem sou, digamos, na superfície, eu tenho algumas características muito claras e que não mudaram.
Só me arrependo de ter perdido contato com quase todas as pessoas que eram minhas amigas na adolescência, porque tem várias coisas que eu só lembro que aconteceram ao ler bilhetinhos na agenda (ou nem isso — tem um tal de L. que aparece em várias páginas em 2005 que eu não faço ideia de quem seja). Na verdade, eu mal lembro de muita coisa — 2005 e 2006 são anos que hoje são meio em branco para mim, o que mais lembro é 2007, e ainda assim é pouca coisa. Talvez essa mania de revisitar a adolescência também seja um medo de esquecer permanentemente das coisas que aconteceram e de quem eu era — e, portanto, de quem eu sempre fui.
Mas também é muito legal lembrar e aceitar as coisas que eu sempre fui e sempre gostei e usá-las para criar novas memórias com os amigos que eu tenho hoje (e que, espero terei daqui a 10 anos também) (parem de casar), tipo na semana passada que fui ver a mesma banda cover de Aerosmith que eu via no Laranja Mecânica em Piracicaba com a Paula mas no Manifesto, em São Paulo, com a Nika. E a banda está no último ano de atividade, e o Aerosmith de verdade, que vi ao vivo em 2007, vem pro Brasil neste ano provavelmente pela última vez — come full circle, né. Me lembra que meu ex que mencionei lá em cima fez umas paradas de numerologia comigo e me disse que estou no ano 9, de terminar ciclos, mas isso é outro assunto.
Não sei se fiz muito sentido, mas é meio isso aí.
